domingo, 14 de junho de 2009
Resenha
Biografia:
Lucia Hisako Takase Gonçalves
Bolsista de Produtividade em Pesquisa 1B | Orientador de Doutorado
Doutorado em Enfermagem pela Universidade de São Paulo, Brasil (1973)
Pós-Doutorado pela University of California - San Francisco, Brasil(1988)
Atuação em Interdiciplinaridade, Gerontologia
Professor Adjunto IV da Universidade Federal de Santa Catarina , Brasil
Resumo:
Este artigo relata um estudo realizado com objetivo de identificar fatores de risco de maus-tratos na relação idoso/cuidador em convivência intrafamiliar, em famílias moradoras de uma comunidade de periferia do município de Jequié. Em seu processo de envelhecimento, a pessoa idosa pode vir a sofrer alterações de diversas ordens favorecedoras de condição de fragilidade, muitas vezes associada a uma doença crônico-degenerativa ou a um quadro de comorbidade. Essa condição torna o idoso dependente de cuidados de outro, podendo expô-lo a situação de risco de violência intrafamiliar. Esses idosos, com renda de um salário mínimo e convivendo em família de filhos e netos que deles dependem para a sobrevivência, por certo deixam de suprir suas próprias necessidades mínimas. Isso ocorre devido não só a renda deles, mais a própria está nas mãos dos cuidadores, e delas eles fazem o que bem entender. No Brasil, pouco se tem escrito e discutido sobre este tipo de violência, negligência,abuso e maus-tratos, isto pelo fato de que na maioria das vezes esses casos acontecem dentro da própria família, os idosos ficam com receio em denunciar e a situação acaba sendo abafada. Essa é uma realidade que vem acontecendo freqüentemente em nossa sociedade.
Palavras-chaves: Idoso, Relações Familiares, Maus-tratos.
“Em seu processo de envelhecimento, a pessoa idosa pode vir a sofrer alterações de diversas ordens favorecedoras de condição de fragilidade, muitas vezes associada a uma doença crônico-degenerativa ou a um quadro de comorbidade. Tal condição torna o idoso dependente de cuidados de outrem, podendo expô-lo a situações de risco de violência intrafamiliar, quando seus cuidadores forem familiares convivendo em contexto de relacionamentos disfuncionais”.
“No Brasil, pouco se tem escrito e discutido sobre violência, negligência, abuso e maus-tratos. Carece-se também de estatística quanto aos agredidos, agressores e também às prováveis causas. Trata-se de uma temática complexa, de difícil estudo e identificação, sobretudo em idosos, porque eles geralmente não denunciam abusos, menosprezo, abandono e desatenções sofridas, por medo de serem punidos e perderem o acolhimento que estão recebendo de seus cuidadores, que são, ao mesmo tempo, os próprios agressores. Outros sentem vergonha de fazer denúncias. Há ainda àqueles que sofrem de maus-tratos sutilmente mascarados que não se dão conta de que estão sendo vítimas de violência” (MINAYO; SOUZA, 2003).
“Os possíveis fatores de risco de maus-tratos em idosos foram levantados por meio da aplicação de um questionário composto de questões estruturadas, formulado especificamente para o presente estudo”.
“Esses idosos, com renda de um salário mínimo e convivendo em família de filhos e netos que deles dependem para a sobrevivência, por certo deixam de suprir suas próprias necessidades mínimas. Por isso, acreditamos que a condição de precários recursos materiais do idoso e do cuidador poderá configurar-se em situação de risco real de, no mínimo, negligência no cuidado do idoso”.
“Perguntados sobre a existência ou não de harmonia intrafamiliar, 44 (88%) idosos relataram haver desarmonia no seu relacionamento familiar, como se pode ver em suas palavras:
"Por mim se dá, mas eles não gostam de mim"; "às vezes eu não convivo bem com a nora"; "Mais ou menos,vai levando"; "De vez em quando a gente briga; "Por completo não ta bem, sempre há as desavenças"; "Não é muito bom não, a gente se atura"; "É que nem maré, uma hora tá bom, outra não tá, é mais pra ruim";" é meio perturbado, às vezes a gente sai na briga eu, meu filho e a nora"; "Meu genro briga muito aqui dentro de casa".
“Percebemos que as famílias se encontram despreparadas para enfrentar a condição de cronicidade prolongada no processo do envelhecimento dos idosos de que cuida. Permitem, assim, que se estabeleçam os conflitos intergeracionais, além de outras disfuncionalidades nas relações de cuidado, e transformam em riscos potenciais de desrespeito ao idoso em sua história de vida, e ao seu viver condigno”.
“Esses idosos, com renda de um salário mínimo e convivendo em família de filhos e netos que deles dependem para a sobrevivência, por certo deixam de suprir suas próprias necessidades mínimas. Por isso, acreditamos que a condição de precários recursos materiais do idoso e do cuidador poderá configurar-se em situação de risco real de, no mínimo, negligência no cuidado do idoso”.
“É notório observar que abusos, maus-tratos e negligência ocorridos em ambiente familiar, os conflitos intergeracionais, as dificuldades físico-financeiras, as mútuas dependências do idoso e do cuidador, somados ao imaginário social que considera a velhice e o envelhecimento como uma fase de decadência da vida humana, o estudo da violência contra os idosos se torna mais complexo, quando se deseja compreendê-la a partir do interior da unidade familiar, uma arena privada a ser tornada pública”.
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Resenha
Disponível em http://www.seol.com.br/mneme
Ludgleydson Fernandes de Araújo
Mestrando em Psicologia Social e Especialista em Gerontologia
Pesquisador do Núcleo de Pesquisa Aspectos Psicossociais de Prevenção e Saúde Coletiva
Universidade Federal da Paraíba
Virgínia Ângela M. de Lucena e Carvalho
Doutora em Desenvolvimento Adulto e Envelhecimento Humano - Universidade de Salamanca-Espanha
Professora do Departamento de Serviço Social e Programa de Pós-Graduação em Serviço Social
Coordenadora da Base de Investigação Multidisciplinar em Desenvolvimento Humano e Envelhecimento
Universidade Federal da Paraíba
RESUMO:
A busca pela eterna juventude é assunto que vem desde a mais remota história, mas na última década o envelhecimento e a longevidade despertaram maior interesse devido ao aumento da perspectiva de vida. Os primeiros trabalhos científicos sobre envelhecimento humano começaram a aparecer no século XIV, desde então se buscava entender o processo que levava o indivíduo a envelhecer.
Até o século XIV, o velho era tratado como um sujeito incapaz der produzir. No início da década de 1920, questões sobre o envelhecimento começaram a aparecer em pesquisas científicas que basicamente abordavam as transformações fisiológicas, pois do ponto de vista comportamental, dizia-se ser uma fase pouco produtiva.
Só no final da década de 1950 é que o interesse da Psicologia pelo envelhecimento começou a crescer, devido ao aumento do número de idosos.
Na Psicologia do Desenvolvimento, os pesquisadores não encontravam respostas sobre a subjetividade do envelhecimento nem sobre a velhice côo fato social, mesmo já existindo a Gerontologia, a Psicologia do Envelhecimento se expandiu, área que se dedica às alterações do comportamento no envelhecimento é tema recente, mas que vem crescendo significativamente, pois se trata de uma fase do desenvolvimento humano tão importante quanto às demais.
Palavras-chave
Velhice – Envelhecimento humano – Abordagem sócio-histórica e psicológica
“No século XVI começaram a aparecer os primeiros trabalhos científicos acerca do envelhecimento humano, com representantes como Bacon, Descartes e Benjamim Franklin que acreditavam ser apenas o desenvolvimento de métodos científicos eficazes para ‘vencer’ as transformações da velhice. Francis Bacon (1561-1626) escreveu “A História Natural da Vida e da Morte e a Prolongação da Vida”, defendendo a idéia de que um espírito jovem inserido em um corpo velho faria regredir a evolução da natureza. Benjamim (1745-1813) por sua vez é o primeiro a dizer que são as doenças responsáveis pela morte e não o envelhecimento – que não é doença. (Azevedo, 2001; Leme, 1996).”
”Percebe-se que na atualidade é negado ao velho sua função social, uma vez que habilidades como aconselhar e lembrar são mecanismos não valorizados, sendo decorrente a opressão à velhice. Esta se dá a partir de mecanismos institucionais visíveis como, por exemplo, as casas de ‘repouso’, asilos, bem como por questões psicológicas (a tutelagem, a inexistência do diálogo, discriminação) e mecanismos científicos com pesquisas que demonstram deterioração física, deficiência nas relações interpessoais (Chauí, 1994).”
“As questões concernentes ao envelhecimento humano ganharam destaque na pauta das pesquisas científicas no início da década de 1920, com investigações que contemplavam, basicamente, as transformações fisiológicas e suas perdas para o organismo nesta fase do desenvolvimento. Estudos pioneiros, como os realizados por Stanley Hall, marcaram esta fase embrionária, enfocando a velhice entre os acadêmicos com a publicação, em 1922, da obra Senescence: the hall of life (Paiva, 1986).”
“É preciso que se estabeleça respeito pelo idoso, reconhecendo-o enquanto ser humano que, se por vezes apresenta uma certa diminuição de suas habilidades físicas e sensoriais, possui outras qualidades que podem ser igualmente importantes (Del Prette, 1999).”
“Não obstante, faz-se necessário conhecer como que esse constructo sócio-histórico e cultural tem perpassado a formulação de teorias e pesquisas que vislumbram explicar e predizer as manifestações psicossociais da velhice e do processo de envelhecimento humano.”
“O envelhecimento era tratado como uma fase em que existem perdas, havendo perdas gradativas das capacidades tanto físicas quanto psíquicas.”
“Segundo Baltes (1995), a evolução do campo da psicologia do envelhecimento, no século XX, acarretou mudanças também na natureza da psicologia do desenvolvimento que, em vários países, especialmente nos EUA, era um campo sobreposto ao da psicologia infantil.”
“Erik Erikson um dos pioneiros nos estudos sobre o desenvolvimento humano, com a formulação da Teoria do Desenvolvimento durante toda a vida (1963,1964), explicitava que o desenvolvimento se processa ao longo da vida e que o sentido da identidade de uma pessoa se desenvolve através de uma série de estágios psicossociais durante toda a vida (Bee & Mitchell, 1984).”
“Segundo Neri (1995),
a psicologia do envelhecimento é hoje a área que se dedica à investigação das alterações comportamentais que
acompanham o gradual declínio na funcionalidade dos vários domínios do comportamento psicológico, nos anos
mais avançados da vida adulta (p.13).”
“Um dos desafios enfrentados pela psicologia do envelhecimento a priori foi conciliar os conceitos de desenvolvimento e envelhecimento, tradicionalmente tratados como antagônicos, tanto pelos cientistas, quanto pela sociedade civil e a família, tendo em vista que se considerava a velhice como um período sem desenvolvimento. Essa questão poderia ser amenizada com a ajuda da sociedade, se esta providenciasse uma maior focalização em torno da longevidade, da saúde física e da adequação do ambiente às peculiaridades da velhice.”
Resenha
LUNARDELLI, Maria Cristina Frollini; CANÊO, Luiz Carlos. A preparação para a aposentadoria: O papel do psicólogo frente a essa questão. Revista Brasileira de Orientação Profissional
Milena Rodrigues é psicóloga formada pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), Bauru/SP.
Maria Cristina Frollini Lunardelli é doutora em Educação pela Universidade Estadual Paulista (UNESP),
Marília/SP e professora da área de Psicologia Organizacional e do Trabalho da UNESP, Bauru/SP.
Luiz Carlos Canêo é doutor em Educação pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) de São
Carlos/SP e professor da área de Psicologia Organizacional e do Trabalho da UNESP, Bauru/SP.
Resumo:
Os significados do trabalho são muitos e todos são importantes, pois o homem se produz e reproduz pelo trabalho. É no trabalho que o indivíduo encontra sua identidade como pessoa e como ser social, além disso, o trabalho é o principal regulador da vida, pois o indivíduo organiza seus horários e relacionamentos em função deste.
A sociedade valoriza apenas aqueles que produzem por isso, a aposentadoria é vista somente como um merecido descanso e sim como uma etapa de transição que pode significar uma ameaça ao equilíbrio psíquico do sujeito.
Pensando em qualidade de vida do aposentado entram em ação os psicólogos. Trabalhando este tema na instituição, preparando o trabalhador para a aposentadoria, para que a ruptura com o trabalho aconteça de forma saudável.
Cabe ao psicólogo, como profissional da saúde propor e implementar políticas organizacionais para promoção da qualidade de vida do trabalhador, pensar em ações para o pré-aposentado no contexto organizacional que impeçam sentimentos de inutilidade. Criar um programa de reflexão e preparação para a aposentadoria, para que cada indivíduo com sua subjetividade possam enfrentar essa nova etapa de vida com mais segurança, clareza e melhores condições. E este é um importante programa, pois tem como objetivo principal a re-socialização do pré-aposentado, baseada no respeito ao ser humano e na consciência das profundas modificações que ocorrem no modo de viver desses indivíduos e prevenir a falta de planejamento à aposentadoria, evitando possíveis conflitos e angústias com o término da carreira profissional e ensinar aos futuros aposentados que as possibilidades de ações não se esgotam com o fim da rotina de trabalho.
Palavras-Chave: significado de trabalho; aposentadoria; qualidade de vida.
“Ser velho na sociedade capitalista “É sobreviver. Sem projeto, impedido de lembrar e ensinar, sofrendo as adversidades de um corpo que se desagrega à medida que a memória vai-se tornando cada vez mais viva, a velhice, que não existe para si, mas somente para o outro. E este outro é um opressor.” (Bosi 1994, p.18-19).” P. 54
“Assim, a perda do vínculo, com tudo o que representa “estar trabalhando”, pode ter influência na identidade pessoal, uma vez que a aposentadoria acarreta modificações nas relações instituídas entre o indivíduo e o sistema social. A aposentadoria traz para os indivíduos um conjunto de perdas que eram valores importantes, tais como o convívio com os colegas, o “status” social de pertencer a uma organização, o poder de exercer influência sobre os outros, assim como a própria rotina enquanto referencial de existência (Uvaldo, 1995).” P. 55
“A aposentadoria é uma fase que provoca mudanças e pode gerar ansiedades no indivíduo, considerando-se sua história na relação com o grupo social ao qual pertence. Sua identidade, como pessoa e como ser social, pode ficar ameaçada. É, ainda, um período de enfrentamento de outra questão: a de ser considerado velho.” P. 55
“Assim, para se pensar em ações direcionadas à qualidade de vida do aposentado, é necessário compreender o que significa para um indivíduo se aposentar, qual o significado desse processo em sua vida; pois, a aposentadoria constitui-se numa etapa de transição que pode significar uma ameaça ao seu equilíbrio psíquico, ao ameaçar a sua identidade como pessoa e como ser social. Faz-se necessário, então, que órgãos governamentais e não-governamentais estimulem a criação de programas de reflexão sobre a aposentadoria, por meio de organizações públicas e privadas de diferentes naturezas (entidades de classe, instituições sociais, empresas, órgãos públicos etc.).” P. 57
“León (2000) afirma que o comprometimento da aparência pessoal, da saúde e do desempenho em relação à execução de algumas tarefas, mesmo que não atinja todos indivíduos, pode reforçar alguns preconceitos em relação aos aposentados, podendo
assim a aposentadoria ser visualizada como um demarcador temporal do envelhecimento.” P. 58
“Conforme Bosi (1994, p.79), “o velho sente-se um indivíduo diminuído, que luta para continuar sendo homem. O coeficiente de adversidade das coisas cresce: as escadas ficam mais duras de subir, as distâncias mais longas a percorrer, as ruas mais perigosas de atravessar, os pacotes mais pesados de carregar. ”” P. 58
“Além do comprometimento físico, a aposentadoria pode também representar perdas materiais, psicológicas e sociais, como a queda dos rendimentos financeiros, desligamento dos colegas de trabalho, perda do status social que o trabalho proporcionava, entre outros, o que pode incidir na diminuição da auto-estima e da motivação, ocasionando adoecimento mental que se reflete em crises depressivas, ansiedade, alcoolismo e até mesmo no suicídio.” P. 58
“Segundo Zanelli e Silva (1996), na iminência da aposentadoria, os sentimentos se misturam e, por vezes, se contradizem, pois a possibilidade concreta de parar de trabalhar conflita-se com o medo do tédio, da solidão, da instabilidade financeira e de doenças.” P. 59
“Dentro desse contexto, é fundamental pensar em ações para o pré-aposentado no contexto organizacional que impeçam sentimentos de inutilidade, evitando que a falta de reflexão faça com que a aposentadoria seja vivida sobre o prisma do adoecimento, inutilidade e ociosidade.” P. 59
“Outro ponto a ser destacado em um Programa de reflexão e preparação para a aposentadoria é sua importância nas organizações, pois é o investimento na qualidade de vida do indivíduo que muitas vezes, preteriu sua vida pessoal e familiar para se dedicar ao trabalho, e que, em breve, deixará a organização.” P. 60
“Ao investir na construção de ações de qualidade de vida nas organizações, a exemplo do Programa de reflexão e preparação para a aposentadoria, o psicólogo estará auxiliando na implementação de políticas que promovam o atendimento dessas necessidades, especialmente em se tratando do bem-estar psíquico, exercitando a dimensão política e educativa de seu papel profissional.” P. 60
quarta-feira, 10 de junho de 2009
Resenha
Biografia:
Doris Vasconcellos
Professora no Instituto de Psicologia, Universidade Paris V, França.
Rosa Ferreira Novo
Professora de psicologia na Universidade de Lisboa, Portugal.
Odair Perugini de Castro
Professora de psicologia na Universidade da Terceira Idade, Universidade Federal
do Rio Grande do Sul.
Kim Vion-Dury
Psicóloga clínica no Institut d’Education Motrice, Limoges, França.
Ângela Ruschel
Psicóloga clinica no Hospital Getúlio Vargas, em Porto Alegre, RS.
Maria Clara Pinheiro de Paula Couto
Mestranda em Psicologia, bolsista do CNPq, na Universidade Federal
do Rio Grande do Sul.
Patrick de Colomby
É sociólogo no Institut National de Santé et Recherches Médicales Unité 569 / Institut
National d’études démographiques, Laboratoire d’Analyse Socio-Anthropologique du Risque, Université de Caen, França.
Alain Giami
Psicólogo e diretor de pesquisas no Institut Nacional de Santé et Recherches Médicales Unité 569, Paris, França.
Resumo:
Com o aumento da expectativa de vida populacional caminhou junto os considerados avaços na área da Medicina, proporcionando um envelhecimento ativo e cada vez mais saudavél. Focando a área sexual do idoso, percebemos que muitos deles já não o percebem como unicamente para procriação, mas, como grande fonte de prazer e signitivo resultado na relação conjugal. Quando afirmamos que a resposta sexual humana é mais lenta com o envelhecimento, devido à apresentação de algumas dificuldades, por conseqüência natural dos baixos níveis hormonais, não se quer dizer que ela desaparece, o uso de hormônios e de medicamentos pode ser usado desde que não haja qualquer contra-indicação. O sexo é importante fonte de bem estar e facilita à resolução de conflitos cotidianos, a saúde bio-psico-social garantiu também melhor sexualidade na velhice.
Palavras Chaves: Envelhecimento. Sexualidade. Bem estar sexual.
“A visibilidade social desta camada da população é atualmente um fenômeno presente em todos os países que conseguiram dilatar a esperança de vida através dos progressos combinados da medicina e do meio ambiente.” (VASCONCELLOS, NOVO, CASTRO, DURY, RUSCHEL, COUTO E GIAMI, 2004, p.413).
“Não somente os seres humanos vivem mais tempo, mas também as condições de saúde e o potencial de integração social são prolongados.” (VASCONCELLOS, NOVO, CASTRO, DURY, RUSCHEL, COUTO E GIAMI, 2004, p.413 e 414).
“As repercussões do processo de envelhecimento sobre a sexualidade constituem um assunto particularmente contaminado por preconceitos”. (VASCONCELLOS, NOVO, CASTRO, DURY, RUSCHEL, COUTO E GIAMI, 2004, p. 414).
“Até recentemente, ainda se acreditava que por volta dos cinqüenta anos o declínio da função sexual era inevitável face à menopausa feminina e à instalação progressiva das disfunções da ereção masculina. Além disto, a atividade sexual perdia fatalmente seu objetivo de procriação e, portanto, sua justificativa social”. (VASCONCELLOS, NOVO, CASTRO, DURY, RUSCHEL, COUTO E GIAMI, 2004, p. 414).
“A concepção pioneira de Freud (1905/1969) afirmando o prazer como objetivo da sexualidade humana liberou-a da obrigação de resultado pela reprodução”. (VASCONCELLOS, NOVO, CASTRO, DURY, RUSCHEL, COUTO E GIAMI, 2004, p. 414).
“A tese de Freud veio a ser confirmado com a recente emergência do conceito de saúde sexual e com a sua dissociação progressiva do conceito de reprodução, o que coloca em evidência a autonomização da vida sexual e sua importância para a realização e o bem-estar dos indivíduos durante toda a vida (Giami, 2003)”. (VASCONCELLOS, NOVO, CASTRO, DURY, RUSCHEL, COUTO E GIAMI, 2004, p. 414).
“Mas esta liberdade ideológica só pôde tornarse realidade com a conquista tecnológica dos hormônios sintéticos. Tornou-se assim possível tanto a contracepção quanto a terapia de reposição hormonal que facilita manter a função sexual prazerosa após a menopausa”. (VASCONCELLOS, NOVO, CASTRO, DURY, RUSCHEL, COUTO E GIAMI, 2004, p. 414).
“A geração que ultrapassou os cinqüenta anos, idade que marca o início das alterações bio-psico-sociais caracterizando o envelhecimento, confronta-se atualmente com um conflito entre os estereótipos e os valores ligados à sexualidade internalizados ao longo da vida e a oferta recente de recursos que permitem assumir as inclinações pessoais realmente percebidas”. (VASCONCELLOS, NOVO, CASTRO, DURY, RUSCHEL, COUTO E GIAMI, 2004, p. 415).
“Espera-se que junto com a dilatação da esperança de vida e do progresso científico e técnico que homem tem sido capaz de pôr em marcha, haja uma evolução social e cultural e uma mudança das mentalidades capaz de integrar a sexualidade das pessoas idosas harmoniosamente em tais avanços”. (VASCONCELLOS, NOVO, CASTRO, DURY, RUSCHEL, COUTO E GIAMI, 2004, p. 414).
Resenha
Biografia:
Roberta Fernandes Lopes Do Nascimento
Pssui graduação em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (2003). Atualmente é mestranda em psicologia - Pós Graduação da Faculdade de Psicologia, Professora - Casa do Psicólogo e psicóloga organizacional e do trabalho - Núcleo Médico Psicológico. , atuando principalmente nos seguintes temas: psicologia organizacional e do trabalho, avaliação psicológica e acompanhamento funcional. Atua com idosos depressivos e avaliação psicológica na terceira idade.
Irani I. Lima Argimon
Psicóloga. Doutora em Psicologia e Professora da Graduação e Programa em Pós-Graduação em Psicologia da PUCRS.
Regina Maria Fernandes Lopes
Psicóloga. Especialista em Avaliação Psicológica pala UFRGS e Colaboradora do Grupo de Pesquisa Avaliação e Intervenção Psicológica no Ciclo Vital PUCRS.
Resumo:
Devido aos avanços da Medicina a expectativa de vida se aumenta a cada dia, proporcionando aos idosos boas condições físicas e mentais. No Brasil, existe um preconceito em relação ao idoso e o trabalho, devido a nossa cultura, o idoso é visto como incapaz, improdutivo e dependente. Entretando, atráves de trabalhos voltados para a população idosa percebemos uma significantiva mudança, no qual vem demonstrando que os idosos têm muito a contribuir em nossa sociedade. Quando o idoso se sentir útil, produzindo no seu trabalho isso lhe proporcionara uma vida saudável e garantia do seu papel social no meio onde se encontra inserido.
Palavras Chaves: Idoso, Trabalho. Aposentadoria.
“É cada vez maior o número de pessoas que ultrapassam a idade de sessenta anos e, mais que isso, que atingem essa idade em boas condições físicas e mentais. Assim, o objetivo deste estudo é entender a presença do idoso no mercado de trabalho”. (NASCIMENTO, ARGIMON E LOPES, 2006, p.1).
“O idoso com suas potencialidades e limitações, pode ser parte significativa de força de trabalho, em que, mais do que nunca, as questões relativas à carga mental do trabalhador se tornarão mais relevantes do que as associadas à carga física, resgatando o idoso na sua bagagem cognitiva e desempenho”. (NASCIMENTO, ARGIMON E LOPES, 2006, p.1).
“O envelhecimento é um fenômeno que atinge a todos os seres vivos, no caso do homem está relacionado intimamente com as condições de vida e trabalho”. (NASCIMENTO, ARGIMON E LOPES, 2006, p.3).
“Hoje são 15 milhões de pessoas com mais de 60 anos que movimentam 7 bilhões ao mês. Muitas empresas estão em busca destes profissionais: são agências de viagem, universidades, cursos de idiomas, de informática, entre outros”. (NASCIMENTO, ARGIMON E LOPES, 2006, p.2).
“Parece enganosa a crença de que o trabalho seja limitado apenas àqueles que são jovens, detentores de força física, uma vez que esta é apenas uma das energias a serem utilizadas nas atividades laborativas. As potencialidades mentais dos indivíduos de terceira idade, hoje comprovadas, merecem, portanto, ser atendidas como sinônimo da força produtiva”. (NASCIMENTO, ARGIMON E LOPES, 2006, p.2 e 3).
“Com a questão do aumento da expectativa de vida no Brasil, tem-se por consequencia um aumento significativo de pessoas idosas, e a sociedade deve repensar sobre a aposentadoria e o que fazer após a mesma”. (NASCIMENTO, ARGIMON E LOPES, 2006, p.3).
“Em relação aos aposentados, os resultados apontam que os que trabalhavam eram mais jovens, tinham maior escolaridade e renda per capita. Estes idosos mencionaram menor frequencia de doenças e menor dificuldade para execusão de tarefas diárias, mas apresentam a mesma relação na procura aos serviçoes de saúde. Os resultados pesquisa indicaram que a saúde é fator preditivo independente da permanência na vida ativa em idades elevadas”. (NASCIMENTO, ARGIMON E LOPES, 2006, p.3 e 4).
“Diversos estudos têm mostrado que as pessoas que trabalham, ou seja, até mesmo com trabalho informal sem carteira assinada apresentam melhores condições de saúde do que a população em geral, e que pessoas doentes e incapazes, são geralmente, excluídas do mercado de trabalho”. (NASCIMENTO, ARGIMON E LOPES, 2006, p.4).
Resenha
Bibliografia
Nayara de Paula Faleiros
Psicóloga formada pela UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA (UNESP), foi bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo - FAPESP durante a graduação. Atualmente é aluna da pós-graduação da UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO (UNIFESP) no departamento de Ginecologia. Tem experiência, principalmente, nas áreas de Psicologia do Desenvolvimento e Psicologia Social (idoso, brinquedoteca, brincar/brinquedo, adolescente/sexualidade) e Sexualidade feminina (disfunção sexual, transição menopausal, pós-menopausa, histerectomia).
José Sterza Justo
É professor Livre-Docente em Psicologia do Desenvolvimento pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho e docente do curso de graduação e pós-graduação em Piscologia pela UNESP - campus de Assis. Possui graduação em Psicologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (1975), mestrado em Psicologia Educacional pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1981) e doutorado em Psicologia (Psicologia Social) pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1989). Tem experiência na área de Psicologia, com ênfase nas áreas de psicologia do desenvolvimento e social, atuando principalmente nos seguintes temas: migração, errância, andarilhos, nomadismo; terceira idade, adolescência e contemporaneidade.
Resumo
Este artigo tem o objetivo voltado para o processo de envelhecimento humano. Dando enfâse na vida rotineira dos idosos, no qual, passam este período tão imporatante de suas vidas em asilos. O artigo a seguir foi baseado em pesquisa com idosos residentes de uma instituição asilar de Assis/SP. A entrevista foi feita com 21 idosos (13 homens e oito mulheres). O resultado da análise das entrevistas demostrou qual é a percepção dos idosos asilados têm de si mesmos e como a instituição asilar é heterogênea. Pequena parte dos asilados reconhece o processo de institucionalização pelo qual passam e nomeiam os aspectos positivos e negativos. A vida ápos a entrada no asilo e a vivida anteriormente fazem com que a subjetividade de cada um demarque o início de inúmeras diferenças.
Palavra-Chave: Envelhecimento. Asilo. Família.
“As pesquisas desenvolvidas atualmente nas áreas geriátrica, gerontológica e da Psicologia do desenvolvimento têm, em sua grande parte, procurado desinstitucionalizar o conceito de envelhecimento populacional conhecido até então, seja pela reafirmação deste como processo integrante da experiência vivencial dos indivíduos, seja pela desconstrução dos estereótipos a ele imprimidos”. (FALEIROS E JUSTO, 2007, p.2)
“Desde seu início, a função do espaço asilar não era promover a recuperação do indivíduo ali residente e incentivar sua volta ao convívio social mais amplo, como acontece nos hospitais, por exemplo”. (FALEIROS E JUSTO, 2007, p.4).
“O contato dos idosos residentes com esses familiares em geral é escasso. Poucos idosos mencionaram serem visitados assiduamente por eles. Percebemos que mesmo aqueles que possuem familiares próximos – na mesma cidade ou em cidades contíguas – se sentem extremamente dependentes dos cuidados do asilo, abandonados pela sociedade, pela família e a caminho da morte. Junto com as perdas sociais já sofridas pelo envelhecer, o rompimento dessa rede relacional – de forma abrupta ou não – acentua a tendência ao isolamento psicossocial dos internados, que têm poucas trocas afetivas também em relação aos outros moradores”. (FALEIROS E JUSTO, 2007, p.7 e 8).
“As visitas de voluntários, amigos e curiosos costumam ser a maioria no caso da instituição em estudo, conforme nossa experiência de trabalho lá desenvolvida. Os motivos do afastamento familiar, após a institucionalização de boa parte dos entrevistados, não foram evidenciados em nenhuma das respostas dadas. Segundo nosso ponto de vista, seria necessário um acompanhamento sistemático dos envolvidos – idosos e familiares – para melhor compreensão dessa dinâmica e motivações, o que requeriria um estudo específico”. (FALEIROS E JUSTO, 2007, p.8).
“A partir do exposto, acreditamos que a concepção da velhice asilada como um processo de constantes perdas, que traz ao indivíduo a sensação de não poder mais viver suas potencialidades de forma plena e relacionar-se com o porvir, é uma representação da maioria dos residentes. Apesar de a velhice estar ainda vinculada às construções das idéias de morte e declínio das funções vitais, vimos a importância de não reduzirmos o envelhecimento à homogeneização, pois há aqueles que percebem o asilo como mais um local de passagem, assim como outros já vividos”. (FALEIROS E JUSTO, 2007, p.12).
“Acreditamos que o processo de institucionalização se relaciona intimamente com essa representação conflituosa de si. Por um lado, sentem-se acolhidos pela instituição porque não ocupam mais um lugar na rede relacional comunitária em que estavam inseridos, recebendo cuidados essenciais à sua sobrevivência;6 por outro, se sentem marginalizados em relação a esse mesmo meio social, carentes do contato com os outros e de exercerem ativamente sua cidadania, liberdade de ir e vir, de se expressar, de tomar decisões etc.”. (FALEIROS E JUSTO, 2007, p.13).
“Poucos idosos entrevistados desenvolvem alguma atividade que lhes desperta prazer ou que lhes exige certa dose de esforço pessoal e perspectivas futuras. Aqueles que possuem algum afazer se encontram em claro contraste com uma estrutura estagnante, que cultiva a idéia de que o asilo é apenas um “lugar de descanso” e estar lá significa “estar fora do mundo”, não restando mais o que fazer”. (FALEIROS E JUSTO, 2007, p.13).
“Muitos idosos abraçam essa idéia de invalidez e mergulham num estado depressivo ao visionarem apenas as perdas e faltas constantes e procuram, então, se reafirmar a partir da própria doença”. (FALEIROS E JUSTO, 2007, p.14).
terça-feira, 9 de junho de 2009
Resenha
Biografia:
Luciane Cristina Joia
Possui graduação em Fisioterapia pela Universidade de Marília (1996), especialização em atividade motora adaptada pela UNICAMP(2000), em Ativação de processo de mudança na formação superior de profissionais de saúde pela FIOCRUZ (2006) e mestrado em Saúde Pública pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2005) e doutoranda em Saúde Pública pela mesma Universidade (2008) . Atualmente é vice diretora acadêmica,coordenadora da Universidade Aberta da Melhor Idade da Faculdade São Francisco de Barreiras e presidente do conselho municipal do idosos da cidade de Barreiras. Tem experiência na área de Fisioterapia e Saúde Pública com enfase em Epidemiologia e bioestatística
Tania Ruiz
Graduada em Ciências Médicas pela Universidade Estadual de Campinas (1974), Mestrado em Saúde Pública pelo Instituto de Nutricion de Centro America y Panama (1975), Doutorado em Medicina Com Concentração Em Saúde Coletiva pela Universidade Estadual de Campinas (1996), Livre-Docente em Epidemiologia da Terceira Idade pela Faculdade de Medicina de Botucatu - UNESP. Atualmente Professora Adjunto da Faculdade de Medicina de Botucatu - UNESP. Linhas de Pesquisa: Epidemiologia de Terceira Idade e Ensino Médico. Experiência didática em Epidemiologia.
Maria Rita Donalisio Cordeiro
Possui graduação em Medicina pela Universidade Estadual de Campinas (1981) e doutorado em Ciências Médicas pela Universidade Estadual de Campinas (1995). Atualmente é professor assistente doutor da Universidade Estadual de Campinas. Tem experiência na área de Saúde Coletiva, com ênfase em Epidemiologia de Doenças Infecciosas, atuando principalmente nos seguintes temas: doenças respiratórias, endemias rurais, vigilância epidemiológica, aids, dengue e método epidemiológico.
Resumo:
No Brasil o índice de idosos vem crescendo em um ritmo muito acelerado, devido e principalmente a queda na taxa de fecundidade. Para os idosos não basta garantir apenas uma longevidade, más sim uma qualidade de vida, satisfação pessoal e claro a felicidade. É complexo falar dessa satisfação por se tratar de um estado subjetivo, depende de uma comparação entre as circunstancias de vida do individuo e um padrão por ele estabelecido. Dependendo também de como e feita à avaliação que cada indivíduo faz da sua vida, levando em consideração alguns parâmetros que podemos julgar importantes, como interação familiar e social, desempenho físico e exercício profissional. Estudos e pesquisas realizados com idosos mostram quais os pontos principais para uma satisfação com a vida na velhice, destacando-se o bem-estar e a sensação de conforto. Viver cada vez mais é o desejo da maioria das pessoas, podendo numa sobrevida marcada por incapacidade e dependência. O desafio é conseguir uma maior sobrevida, com uma qualidade de vida melhor. Esta qualidade de vida, e a satisfação na velhice tem sido associada à independência e autonomia de cada idoso.
Palavras Chaves: Idoso. Satisfação. Qualidade de vida.
“A satisfação com a vida é um julgamento cognitivo de alguns domínios específicos na vida como saúde, trabalho, condições de moradia, relações sociais, automonia entre outros, ou seja, um processo de juízo e avaliação geral da própria vida de acordo com um critério próprio.” (JOIA, RUIZ E CORDEIRO, 2007, p.132).
“A literatura conceitua de maneira semelhante os termos “envelhecimento bem sucedido”, “envelhecimento ativo” e “qualidade de vida na velhice”, sob o foco de satisfação com a vida.” (JOIA, RUIZ E CORDEIRO, 2007, p.132).
“Realizou-se no ano de 2003 um estudo transversal com indivíduos de idade igual ou superior a 60 anos, moradores do município de Botucatu, SP.” (JOIA, RUIZ E CORDEIRO, 2007, p.132).
“Em resumo, o idoso do município de Botucatu vivia em famílias relativamente pequenas, em residências confortáveis e renda modesta. O índice de alfabetização dos idosos encontrado foi relativamente baixo, ressaltando-se, porém que os idosos com idades mais baixas possuiam maior nível de escolaridade.” (JOIA, RUIZ E CORDEIRO, 2007, p.135).
“No presente estudo concluiuse que a saúde e a independência foram os principais determinantes da felicidade. Outras razões mencionadas pela população estudada foram: sistema de apoio, serem aceitos pela comunidade, afetividade, descrição positiva do casamento e condições familiares que reforçam a percepção do convívio social e familiar.” (JOIA, RUIZ E CORDEIRO, 2007, p.137).
Resenha
Biografia:
Anita Liberalesso Neri
Professora Titular na Faculdade de Educação da Unicamp (1995), obteve os títulos de Livre Docente em Educação pela Unicamp (1988) e de Doutora e Mestre em Psicologia pelo Instituto de Psicologia da USP, em 1972 e 1976. É graduada em Psicologia pela Universiadde de Mogi das Cruzes e licenciada em Pedagogia pela Faculdade de Filosofia Ciencias e Letras Nossa Senhora do Patrocínio de Itu. Foi Cientista Visitante no Institudo Max Planck for Human Development and Education em Berlim, Alemanha, em 1994 e 1998. Introduziu o paradigma lifespan em Psicologia e em Gerontologia no Brasil. Seus interesses em pesquisa nos campos da Psicologia do Envelhecimento e da Gerontologia incluem: bem-estar psicológico, mecanismos de auto-regulação do self, atitudes em relação à velhice e paradigma lifespan.
Dóris Firmino Rabelo
Possui graduação em Psicologia pela Universidade Federal de Uberlândia (2003) e mestrado em Gerontologia pela Universidade Estadual de Campinas (2006). Atualmente é professora do Centro Universitário de Patos de Minas. Tem experiência na área de Psicologia, com ênfase em Psicologia do Desenvolvimento Humano e Psicologia da Saúde, atuando principalmente nos seguintes temas: envelhecimento, bem-estar subjetivo, Mecanismos de auto-regulação do self, comportamentos e crenças em saúde.
Resumo:
Os fatores psicológicos e sociais podem afetar o bem-estar e qualidade de vida de indivíduos mais velhos com incapacidades. A uma atenção dada a esses fatores, para o aumento da pevalência de condições crônica, na população idosa. Esses recursos psicológicos e sociais, que os indivíduos dispõem são um caminho não determinação das implicações da incapacidade funcional na vida das pessoas afetadas. A incapacidade funcional é a maior conseqüência das condições crônica, afetando também o status psicológico e o uso de serviços de cuidado de longa permanência. O fator psicológico reflete na percepção subjetiva do individuo e na sua avaliação da situação, importante na adaptação à incapacidade, funcionando como recursos de enfretamento. Dentre vários modelos e definições de qualidade de vida na velhice, pode-se dizer que a experiência de uma doença que tem potencial para gerar déficits no funcionamento físico, sensorial e cognitivo afeta o desempenho cotidiano do individuo e a avaliação subjetiva que este faz da sua vida. O individuo que realiza aquilo que julga importante, ou a distância entre o idealizado e o realizado é a satisfação com o que foi possível concretizar. Envolvendo diretamente a questão da boa qualidade de vida. Quando o mecanismo de ajustamento psicológico, é mais desenvolvido, maior a chance de adaptação, sem grande declínio na qualidade de vida do idoso. Esta adaptação é uma forma de maximizar as possibilidades de cada um, reorganizando a vida diante das limitações. A capacidade da maioria desses idosos, de neutralizar os efeitos das desvantagens da idade é manter uma qualidade de vida satisfatória e suas autoconcepções e seu ajuntamento pessoal.
Palavras Chaves: idosos, incapacidade funcional, ajustamento psicológico.
“O envelhecimento populacional e o aumento da prevalência de doenças crônicas acarretaram o crescimento das taxas de incapacidades físicas e/ou mentais entre os idosos brasileiros, fato que representa muitos desafios para as famílias e para a sociedade [...]”. (NERI E RABELO, 2005, p.403).
“O tópico da incapacidade funcional é de grande interesse não apenas porque esta é
influenciada por condições médicas, patologia ou deficiência, mas também porque é influenciada por fatores psicológicos e sociais.” (NERI E RABELO, 2005, p.404).
“Além dos recursos médicos, os fatores psicossociais têm grande potencial para determinar em que medida a vida estendida será vivida eficazmente ou com debilidade, dor e dependência (Bandura, 2004).” (NERI E RABELO, 2005, p.404).
“A boa qualidade de vida envolve quanto o indivíduo realizou daquilo que considera importante, a distância entre o idealizado e o realizado e a satisfação com o que foi possível concretizar até o momento.” (NERI E RABELO, 2005, p.404).
“As doenças crônicas e as incapacidades conseqüentes podem afetar significativamente o bemestar dos idosos.” (NERI E RABELO, 2005, p.405).
“Para os idosos investigados, saúde significa fazer alguma coisa significativa, o que requer quatro componentes: algo que valha a pena fazer; equilíbrio entre habilidades e desafios; recursos sociais apropriados; e características atitudinais pessoais (ex. atitudes positivas X “pobre de mim”).” (NERI E RABELO, 2005, p.405).
“[...] um processo contínuo de atualização das potencialidades pessoais e de aprender a viver com as limitações explorando e utilizando ao máximo seus recursos disponíveis.” (NERI E RABELO, 2005, p.406).
“Entre os atributos psicológicos importantes para o gerenciamento de condições crônicas está a crença de auto-eficácia percebida.” (NERI E RABELO, 2005, p.408).
A auto-eficácia percebida influencia o que as pessoas escolhem fazer, sua motivação, sua perseverança frente a dificuldades, sua vulnerabilidade ao estresse e à depressão. (NERI E RABELO, 2005, p.408).
“Um modo diferente de neutralizar a discrepância entre o estado atual e o idealizado consiste em adaptar as metas e os objetivos aos dados constrangimentos.” (NERI E RABELO, 2005, p.409).
“O reconhecimento da longa permanência das conseqüências psicossociais das condições incapacitantes é crucial no estabelecimento de programas de cuidado. (NERI E RABELO, 2005, p.410).
“É relevante ter em mente que quanto mais integrados psicológica e socialmente estiverem os idosos, menos ônus eles trarão para suas famílias e cuidadores e para os serviços de saúde e melhor será sua qualidade de vida.” (NERI E RABELO, 2005, p.410).
Resenha
Biografia:
William Serrano Smethurst
Possui graduação em Licenciatura Plena em Educação Física pela Universidade de Pernambuco (1983) e mestrado em Ciências do Desporto pela Universidade do Porto (2001), título revalidado pela Universidade Católica de Brasília (2006). Atualmente é professor da Secretaria de Educação de Pernambuco e professor assistente da Universidade de Pernambuco. Tem experiência na área de Exercício Físico e Saúde, com ênfase em Gerontologia. Atua nas sub-áreas: aptidão física funcional no envelhecimento, exercício e saúde, educação para saúde no envelhecimento e reabilitação cardíaca.
Resumo:
Envelhecimento Ativo: um Marco Político as bases de um novo paradigma para o enfretamento das exigências atuais e futuras apresentadas pelo processo de envelhecimento em todo o mundo. A OMS sustenta que os países poderão lidar bem com o envelhecimento, desde que os governos e a sociedade civil envidem esforços por políticas e programas que melhorem a saúde, a participação social e a seguridade dos cidadãos em todas as fases da vida. Especialmente nos países em vias de desenvolvimento, ajudar a que as pessoas sigam sãs e ativas enquanto envelhecem, mais que um luxo, é uma absoluta necessidade. À medida que a pessoa envelhece, sua qualidade de vida se vê determinada, em grande parte, por sua capacidade para manter a autonomia e a independência. Esse conceito reveste-se de maior importância em um país como o nosso, em que a população envelhece aceleradamente sem desfrutar, em sua grande maioria, de condições básicas, condições que poderiam proporcionar um envelhecimento bem sucedido e digno. Para que o envelhecimento seja uma experiência positiva, deve vir acompanhado de oportunidades contínuas de saúde, participação e seguridade. Ao final dos anos 90, a Organização Mundial de Saúde denominou esse processo de Envelhecimento Ativo. O termo foi adotado com a intenção de transmitir uma mensagem mais completa que a de Envelhecimento Saudável, bem como reconhecer os fatores, que juntos com a atenção sanitária afetam a maneira de envelhecer dos indivíduos e das populações. Faz-se necessário, portanto, que as políticas e os programas voltados para o envelhecimento possibilitem as pessoas seguirem trabalhando de acordo com suas habilidades e preferências à medida que envelhecem, prevenindo ou retardando as incapacidades e enfermidades. Portanto que com pragmatismo e sensatez na provisão de recursos as sociedades com determinação de planejar e agir podem se permitir envelhecer sem sobressaltos.
Palavras Chaves: Envelhecimento ativo, saúde, qualidade de vida.
“O envelhecimento ativo depende de uma diversidade de determinantes que rodeiam as pessoas, as famílias e as sociedades. Estas determinantes, transversais, infraestruturais e atitudinais, interferem na qualidade de vida de todos os grupos etários, não só das pessoas de idade avançada.” (SMETHURST, 2004, p.151).
“Isso significa que qualquer esforço no sentido de promover o envelhecimento ativo resultará em efetiva melhoria na qualidade de vida de todos. Não se é possível atribuir uma causalidade direta a nenhuma delas; no entanto, um volumoso conjunto de evidências sugere que todas, em interação, são preditoras da qualidade do envelhecimento, tanto ao nível pessoal como das populações.” (SMETHURST, 2004, p.151).
“Uma medida objetiva da condição funcional pode ser obtida através de indicadores de aptidão física.” (SMETHURST, 2004, p.152).
Resenha
< http://www.nates.ufjf.br/novo/revista/pdf/v008n1/Envelhecimento.pdf.>. Acesso em: 16 mai. 2009.
Biografia:
Mônica de Assis
É graduada em Serviço Social (UERJ, 1985), sanitarista pela Escola Nacional de Saúde Pública (Fiocruz, 1988), mestre em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social (UERJ, 1992) e doutora em Ciências da Saúde pela Escola Nacional de Saúde Pública (Fiocruz, 2004). Atua na Coordenação de Prevenção e Vigilância do Câncer, do Instituto Nacional de Câncer / Ministério da Saúde. É coordenadora e docente do módulo de prevenção de doenças e promoção da saúde do Curso de Especialização em Geriatria e Gerontologia da UnATI / UERJ, no qual atua como orientadora dos trabalhos acadêmicos. Participa da Rede de Educação Popular em Saúde e desenvolve estudos nas áreas de saúde do idoso, promoção da saúde, educação popular em saúde, avaliação e detecção precoce do câncer.
Resumo:
O envelhecimento humano é um processo universal, progressivo e gradual. Trata-se de uma experiência diversificada entre os indivíduos, para a qual concorre uma multiplicidade de fatores de ordem genética, biológica, social, ambiental, psicológica e cultural. Não há uma correspondência linear entre idade cronológica e idade biológica. A variabilidade individual e os dois ritmos diferenciados de envelhecimento tendem a acentuar-se conforme as oportunidades e constrangimentos vigentes sob dadas condições sociais. O desenvolvimento conceitual contemporâneo da Promoção da Saúde tem como marco o Informe Lalonde, documento de reorientação da política de saúde do Canadá, lançado em 1974. Com base no conceito de campo da saúde, o documento estabeleceu a discussão sobre os limites do investimento crescente com assistência médica para melhorar a saúde da população. Os campos da Promoção de Saúde são definidos como estratégias que englobariam todos os seus determinantes: políticas públicas saudáveis, criação de ambientes favoráveis à saúde, reforço da ação comunitária, desenvolvimento de habilidades pessoais favoráveis e reorientação dos serviços de saúde. O ponto sobre as políticas públicas saudáveis é considerado um diferencial em relação ao entendimento prévio de Promoção da Saúde, mais associado à correção de comportamentos. A idéia de uma ação mais ampla e crítica na abordagem da Educação em Saúde comprometida com eqüidade e justiça social tem sido a linha adotada no Brasil por profissionais que se identificam com a Educação Popular em Saúde. Os princípios teórico-metodológicos da área têm raízes nas concepções pedagógicas de Paulo Freire e podem ser elencados sinteticamente como: concepção de saúde como qualidade de vida; valorização da cultura popular e de sua interação com o saber técnico-científico; estímulo ao diálogo e a processos reflexivos; priorização de metodologias participativas; opção filosófica política pela não-opressão; compromisso com justiça social e o fortalecimento dos movimentos oito sociais; humanização, afetividade e prática voltada à afirmação dos sujeitos. Tais princípios questionam a Educação em Saúde tradicional, limitada ao repasse de informações técnicas, de maneira verticalizada e desvinculada das condições de vida da população. Refere-se à adição de competência e habilidade do ser humano, como parte de um “projeto social” que tem como marco a investigação sobre estilos de vida baseada no contexto e no significado e não na responsabilização individual. O auto cuidado é uma estratégia fundamental da promoção da saúde e deve ser visto como uma das formas de expressão da autonomia. No que tange a informação cabe pontuar seu valor como principio ético habitualmente negligenciado na cultura hegemônica dos serviços de saúde. Bem cuidada, a informação facilita o estabelecimento de vínculo de confiança a partir do qual as pessoas possam ampliar seus recursos para compreender e atuar nas questões de saúde. Isso é especialmente importante na velhice pelo maior requerimento do auto cuidado na monitoração de doenças crônicas, tão necessárias quanto comum nessa fase. A participação popular como estratégia para interferência sobre determinantes da saúde que escapam ao comportamento individual tem centralidade no discurso da promoção da saúde e é apontada como caminho na construção de políticas públicas e ambientes favoráveis à saúde. A inserção de idosos em atividades sociais tem sido reconhecida como valiosa para a qualidade de vida deste segmento, com repercussões positivas na saúde. As ações educativas em saúde orientadas pela Educação Popular contribuem para uma visão integradora da promoção da saúde ao trazerem para debate a relação do Estado e das políticas públicas com as questões que envolvem a prevenção e o controle de doenças no contexto da vida cotidiana.
Palavras Chaves: Envelhecimento, saúde, promoção.
“A observação de padrões diferenciados de envelhecimento e a busca por compreender os determinantes da longevidade com qualidade de vida têm motivado estudos na linha de compreensão do que constituiria o bom envelhecer.” (ASSIS, 2005, p.2).
“O envelhecimento é um processo normal, dinâmico, e não uma doença. Enquanto o envelhecimento é um processo inevitável e irreversível, as condições crônicas e incapacitantes que freqüentemente acompanham o envelhecimento podem ser prevenidas ou retardadas, não só por intervenções médicas, mas também por intervenções sociais, econômicas e ambientais. (BRASIL, 1996, p.1).”
(ASSIS, 2005, p.3).
“O ponto sobre as políticas públicas saudáveis é considerado um diferencial em relação ao entendimento prévio de Promoção da Saúde, mais associado à correção de comportamentos.” (ASSIS, 2005, p.6).
“A experiência e os conhecimentos que informam a vida prática das pessoas são base para a abordagem educativa, cujo eixo metodológico deve ser criar contextos de intercomunicação favoráveis à expressão e à reflexão sobre como as pessoas lidam com a saúde/doença, as dificuldades que enfrentam e as estratégias correspondentes diante das adversidades do contexto social. Este reconhecimento do outro é ingrediente no processo de reforço da auto-estima das pessoas, dimensão desejada tanto para repercussões no nível individual (autocuidado em saúde), como coletivo (participação social e política).” (ASSIS, 2005, p.9).
“O cuidado de si depende, em alguma medida, da auto valorização de cada pessoa como ser singular e como cidadão. Aqui, igualmente, em se tratando de população idosa sobre a qual recaem estigmas e preconceitos socioculturais bem enraizados, o reforço da auto-estima configura-se como estratégia essencial do trabalho, potencialmente capaz de reagir a estes mesmos preconceitos e contribuir para alterar progressivamente o imaginário social de velhice.” (ASSIS, 2005, p.9).
“Do exposto ressalta-se a oportunidade de se estabelecer bases mais fecundas à comunicação nas práticas de saúde e de se reconhecer nelas os sujeitos. Isto importa não apenas pela importância de valores e disposições internas no autocuidado em saúde, mas também para trazer ao debate questões sociais, políticas e econômicas que interpõem-se como barreiras ou dificuldades nesse processo.” (ASSIS, 2005, p.10).
“O marco referencial da promoção da saúde converge com este horizonte, mas pode,
dentre os seus riscos, significar discurso amplo e práticas estreitas pelos interesses contraditórios aglutinados neste campo.” (ASSIS, 2005, p.12).
“A dimensão comportamental é parte do espectro de determinantes da promoção da saúde no envelhecimento e deve ser contemplada criticamente na prática dos profissionais de saúde, ao concebê-la em sua historicidade e articulação ao contexto socioeconômico, cultural, político e ideológico.” (ASSIS, 2005, p.13).
Resenha
Biografia:
Anita Liberalesso Neri
Professora Titular na Faculdade de Educação da Unicamp (1995), obteve os títulos de Livre Docente em Educação pela Unicamp (1988) e de Doutora e Mestre em Psicologia pelo Instituto de Psicologia da USP, em 1972 e 1976. É graduada em Psicologia pela Universiadde de Mogi das Cruzes e licenciada em Pedagogia pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras Nossa Senhora do Patrocínio de Itu. Foi Cientista Visitante no Institudo Max Planck for Human Development and Education em Berlim, Alemanha, em 1994 e 1998. Introduziu o paradigma lifespan em Psicologia e em Gerontologia no Brasil. Seus interesses em pesquisa nos campos da Psicologia do Envelhecimento e da Gerontologia incluem: bem-estar psicológico, mecanismos de auto-regulação do self, atitudes em relação à velhice e paradigma lifespan.
Ilka Nicéia D’ Aquino Oliveira Teixeira
Possui licenciatura em Letras nas habilitações Português, Inglês e Literatura norte americana e britânica pela Universidade Federal de Minas Gerais. É bacharel em Terapia Ocupacional pela Universidade Federal de Minas Gerais e Mestre em Gerontologia pela Universidade Estadual de Campinas. Faz parte do Grupo Multiprofissional de Pesquisa sobre Idosos da Universidade Federal do Paraná.
Resumo:
Vários trabalhos foram realizados por vários pesquisadores, que incluíram no tema de suas pesquisas sobre envelhecimento bem sucedido, a performance física, relações entre a auto-estima endócrino, função cognitiva e associações entre carga alostática e saúde.A principal característica do envelhecimento saudável é a capacidade de aceitação das mudanças fisiológicas decorrentes da idade. Envelhecer com saúde refere-se a um conceito pessoal cujo planejamento deve ser focalizado na história do indivíduo, nos atributos físicos e nas expectativas individuais, constituindo-se, portanto, numa jornada e não num fim. Este artigo propõe uma reflexão sobre o significado do envelhecimento bem-sucedido. Dar-se a ênfase à hipótese de que a subjetividade conceitual está relacionada às particularidades individuais e às diferenças socioculturais. As perspectivas biomédicas e psicossociais, basicamente levam-se em consideração apenas três aspectos: primeiro a probabilidade baixa de doenças e de incapacidades relacionadas às mes¬mas; segundo a alta capacidade funcional cognitiva e física; terceiro o engajamento ativo com a vida. A hierarquia entre os componentes é representada pela inte¬gridade das funções física e mental. Essas funções atuam como potencial para a realização das atividades sociais, envolvendo as relações interpesso¬ais e as atividades produtivas, remuneradas ou não. Os pesquisadores ressaltam que indivíduos muito idosos se encontram no limite da capacidade funcional, havendo necessidade de planejamento e implementação de medidas que tornem efetivas as intervenções para redução da prevalência de fragilidade física e da mortalidade psicológica, caracterizada por perdas da identidade, autonomia e senso de controle. Também leva-se em consideração à perda dos entes queridos, que em muito abala a saúde do idoso. Existe também a preocupação da sociedade, que poderia proporcionar oportunidades de envelhecimento digno ao implantarem recursos externos por meio de políticas públicas. As doenças e limitações não impossibilitam a experiência pessoal de velhice bem – sucedida. Muitos idosos relatam estar envelhecendo bem, embora os resultados de testes clinicamente objetivos demonstrem uma condição desfavorável de saúde. Isso depende muito também de cada cultura, de cada país.
Palavras Chaves: Envelhecimento, saúde do idoso, qualidade de vida.
“As definições de envelhecimento saudável, ativo, robusto e bem-su¬cedido não encontram sustentação nos estudos que consideram apenas a longevidade como critério. O processo envolve múltiplos fatores individu¬ais, sociais e ambientais, determinantes e modificadores da saúde.” (NERI E TEIXEIRA, 2008, p.91).
“O conceito gera debates porque depende de uma apreciação in¬dividual que é justificada no bem-estar subjetivo. São infinitas as formas de sentir e avaliar a própria vida, de maneira que a interpretação literal da expressão “bem-sucedido” sugere uma noção simplista de sucesso ou fra-casso. Para ampliar o conhecimento dos profissionais de saúde sobre as competências dos idosos, as pesquisas sobre o tema devem ser conduzi¬das pela perspectiva integrada: análise dos dados objetivos e das percep¬ções pessoais.” (NERI E TEIXEIRA, 2008, p.91).
“O envelhecimento bem-sucedido aproxima-se de um princípio orga¬nizacional para alcance de metas, que ultrapassa a objetividade da saúde física, expandindo-se em um continuum multidimensional. A ênfase recai sobre a percepção pessoal das possibilidades de adaptação às mudanças advindas do envelhecimento e condições associadas.” (NERI E TEIXEIRA, 2008, p.91).
“Envelhecer bem é uma questão pragmática de valores particulares que permeiam o curso da vida, incluindo as condições próximas da morte. A implementação de programas que elevam o nível de qualidade de vida dos idosos pode prescindir, temporariamente, da definição uniforme desse fenômeno.” (NERI E TEIXEIRA, 2008, p.91).
“O objetivo de muitos idosos e profissionais tem sido a promo¬ção de saúde e bem-estar nessa fase da vida, seja referindo-se ao envelhe¬cimento saudável, produtivo, ativo ou bem-sucedido.” (NERI E TEIXEIRA, 2008, p.91).
O PROCESSO DE APRENDIZAGEM DO IDOSO: desafios e conquistas
Em relação à idade questiona-se como os idosos aprendem a lidar com as dificuldades relacionadas ao fator envelhecimento, como por exemplo, a dificuldade de andar, de ouvir, a diminuição da visão e outras habilidades e competências que podem comprometer seu desempenho cotidiano em relação à agilidade, à presteza, à resolutibilidade de situações problemas. Todos esses fatores provocam, no idoso, a necessidade de novas aprendizagens, processos de negociação e adaptação em relação a si próprio e em relação ao mundo.
Segundo Catania (1999) a criança tem seu comportamento modelado por conseqüências e cada uma, influenciada pelo modelo vivenciado encontrará sua maneira própria de agir em vista de determinada situação.
Partindo desse referencial, o caso do idoso não é diferente. Dependendo do meio onde vive, de suas condições físicas, emocionais, biológicas, o idoso passará também por um novo processo de reconstrução comportamental correlacionando tanto os aspectos funcionais (comportamental) quanto os estruturais (cognitivo e mental).
Esta correlação de funcional e estrutural determinará o nível de qualidade de vida que esse idoso irá desenvolver. Os fatores ambientais e ações especificas provenientes desses fatores juntamente com sua capacidades física-mental-biológicas, habilidades particulares, processos cognitivos, nível de conhecimento, vivências anteriores serão decisivos para essa determinação. Por exemplo, o idoso com dificuldade em movimentar-se quando entra para uma academia, ou fisioterapia, buscando uma melhora estabelece uma condição funcional para a prevenção de doenças e promoção de sua saúde. E, ainda, quando desenvolve hábitos de leitura, trabalhos manuais, jogos, mantém ativo os processos mentais fundamentais para a cognição e a manutenção de sua memória, garantindo assim do ponto de vista estrutural os elementos necessários ao raciocínio, à tomada de decisão, à reflexão.
O viver é um processo marcado por aprendizagens, aprende-se na infância, na adolescência, na vida adulta e também na velhice. Os períodos anteriores talvez sejam mais facilmente demarcados de maneira progressiva, até mesmo por serem mais claramente definidos através de mudanças físicas, hormonais, aquisição de habilidades, tais como aprender falar, andar... Na velhice, o progressivo muitas vezes não é apresentado ao exterior em forma de evolução, transformação, mas principalmente, e fundamentalmente, deve ser incorporado intra psíquicamente como maneira de garantir a expressão da subjetividade e a não alienação desse sujeito sócio histórico.
Além do mais, o que é ser idoso? O que é velhice? O que determina a entrada nesse status é a idade cronológica? Não. Não há um acontecimento que marque claramente ou estabeleça a velhice, já que o fator idade não é determinante na qualidade de vida. Assim, indivíduos de 50 anos podem estar mais velhos que outros de 60 ou 70 anos que aprenderam a lidar e a gerenciar suas limitações.
Por outro lado, é possível encontrar pessoas ditas jovens e que por um fracasso em seu processo de auto regulação (Bandura, 2008) não apresentam auto eficácia em lidar com as perdas, com a realidade, revelando alterações na aparência, no comportamento, no desempenho social.
Assim, os detalhes devem ser considerados: comportamentos de ansiedade, dificuldade de memorização, lapsos de memória, depressões e dificuldade de interação com os mais jovens devem ser ao mesmo tempo contextualizados e individualizados. Deve-se incentivar atitudes de mudança quanto a hierarquias comportamentais, tornando prioritária a busca pela qualidade de vida, mais que a beleza ou outros fatores que antes eram prioritários na juventude.
A aceitação de si mesmo como idoso, o apoio da família, a disposição para aprender novas tarefas são fatores determinantes na qualidade de vida do idoso e facilitadores para a aprendizagem de sua realidade atual que pode continuar sendo produtiva e feliz.
