RABELO, Dóris Firmino and NERI, Anita Liberalesso. Recursos psicológicos e ajustamento pessoal frente à incapacidade funcional na velhice. Psicol. estud. [online]. 2005, vol.10, n.3, pp. 403-412. ISSN 1413-7372. doi: 10.1590/S1413-73722005000300008.
Biografia:
Anita Liberalesso Neri
Professora Titular na Faculdade de Educação da Unicamp (1995), obteve os títulos de Livre Docente em Educação pela Unicamp (1988) e de Doutora e Mestre em Psicologia pelo Instituto de Psicologia da USP, em 1972 e 1976. É graduada em Psicologia pela Universiadde de Mogi das Cruzes e licenciada em Pedagogia pela Faculdade de Filosofia Ciencias e Letras Nossa Senhora do Patrocínio de Itu. Foi Cientista Visitante no Institudo Max Planck for Human Development and Education em Berlim, Alemanha, em 1994 e 1998. Introduziu o paradigma lifespan em Psicologia e em Gerontologia no Brasil. Seus interesses em pesquisa nos campos da Psicologia do Envelhecimento e da Gerontologia incluem: bem-estar psicológico, mecanismos de auto-regulação do self, atitudes em relação à velhice e paradigma lifespan.
Dóris Firmino Rabelo
Possui graduação em Psicologia pela Universidade Federal de Uberlândia (2003) e mestrado em Gerontologia pela Universidade Estadual de Campinas (2006). Atualmente é professora do Centro Universitário de Patos de Minas. Tem experiência na área de Psicologia, com ênfase em Psicologia do Desenvolvimento Humano e Psicologia da Saúde, atuando principalmente nos seguintes temas: envelhecimento, bem-estar subjetivo, Mecanismos de auto-regulação do self, comportamentos e crenças em saúde.
Resumo:
Os fatores psicológicos e sociais podem afetar o bem-estar e qualidade de vida de indivíduos mais velhos com incapacidades. A uma atenção dada a esses fatores, para o aumento da pevalência de condições crônica, na população idosa. Esses recursos psicológicos e sociais, que os indivíduos dispõem são um caminho não determinação das implicações da incapacidade funcional na vida das pessoas afetadas. A incapacidade funcional é a maior conseqüência das condições crônica, afetando também o status psicológico e o uso de serviços de cuidado de longa permanência. O fator psicológico reflete na percepção subjetiva do individuo e na sua avaliação da situação, importante na adaptação à incapacidade, funcionando como recursos de enfretamento. Dentre vários modelos e definições de qualidade de vida na velhice, pode-se dizer que a experiência de uma doença que tem potencial para gerar déficits no funcionamento físico, sensorial e cognitivo afeta o desempenho cotidiano do individuo e a avaliação subjetiva que este faz da sua vida. O individuo que realiza aquilo que julga importante, ou a distância entre o idealizado e o realizado é a satisfação com o que foi possível concretizar. Envolvendo diretamente a questão da boa qualidade de vida. Quando o mecanismo de ajustamento psicológico, é mais desenvolvido, maior a chance de adaptação, sem grande declínio na qualidade de vida do idoso. Esta adaptação é uma forma de maximizar as possibilidades de cada um, reorganizando a vida diante das limitações. A capacidade da maioria desses idosos, de neutralizar os efeitos das desvantagens da idade é manter uma qualidade de vida satisfatória e suas autoconcepções e seu ajuntamento pessoal.
Palavras Chaves: idosos, incapacidade funcional, ajustamento psicológico.
“O envelhecimento populacional e o aumento da prevalência de doenças crônicas acarretaram o crescimento das taxas de incapacidades físicas e/ou mentais entre os idosos brasileiros, fato que representa muitos desafios para as famílias e para a sociedade [...]”. (NERI E RABELO, 2005, p.403).
“O tópico da incapacidade funcional é de grande interesse não apenas porque esta é
influenciada por condições médicas, patologia ou deficiência, mas também porque é influenciada por fatores psicológicos e sociais.” (NERI E RABELO, 2005, p.404).
“Além dos recursos médicos, os fatores psicossociais têm grande potencial para determinar em que medida a vida estendida será vivida eficazmente ou com debilidade, dor e dependência (Bandura, 2004).” (NERI E RABELO, 2005, p.404).
“A boa qualidade de vida envolve quanto o indivíduo realizou daquilo que considera importante, a distância entre o idealizado e o realizado e a satisfação com o que foi possível concretizar até o momento.” (NERI E RABELO, 2005, p.404).
“As doenças crônicas e as incapacidades conseqüentes podem afetar significativamente o bemestar dos idosos.” (NERI E RABELO, 2005, p.405).
“Para os idosos investigados, saúde significa fazer alguma coisa significativa, o que requer quatro componentes: algo que valha a pena fazer; equilíbrio entre habilidades e desafios; recursos sociais apropriados; e características atitudinais pessoais (ex. atitudes positivas X “pobre de mim”).” (NERI E RABELO, 2005, p.405).
“[...] um processo contínuo de atualização das potencialidades pessoais e de aprender a viver com as limitações explorando e utilizando ao máximo seus recursos disponíveis.” (NERI E RABELO, 2005, p.406).
“Entre os atributos psicológicos importantes para o gerenciamento de condições crônicas está a crença de auto-eficácia percebida.” (NERI E RABELO, 2005, p.408).
A auto-eficácia percebida influencia o que as pessoas escolhem fazer, sua motivação, sua perseverança frente a dificuldades, sua vulnerabilidade ao estresse e à depressão. (NERI E RABELO, 2005, p.408).
“Um modo diferente de neutralizar a discrepância entre o estado atual e o idealizado consiste em adaptar as metas e os objetivos aos dados constrangimentos.” (NERI E RABELO, 2005, p.409).
“O reconhecimento da longa permanência das conseqüências psicossociais das condições incapacitantes é crucial no estabelecimento de programas de cuidado. (NERI E RABELO, 2005, p.410).
“É relevante ter em mente que quanto mais integrados psicológica e socialmente estiverem os idosos, menos ônus eles trarão para suas famílias e cuidadores e para os serviços de saúde e melhor será sua qualidade de vida.” (NERI E RABELO, 2005, p.410).
terça-feira, 9 de junho de 2009
Resenha
SMETHURST, William Serrano. Envelhecimento Ativo: da intenção à ação. Anais do Seminário Quantos Somos e Quem Somos no Nordeste. Recife 2004. pp 150-154.
Biografia:
William Serrano Smethurst
Possui graduação em Licenciatura Plena em Educação Física pela Universidade de Pernambuco (1983) e mestrado em Ciências do Desporto pela Universidade do Porto (2001), título revalidado pela Universidade Católica de Brasília (2006). Atualmente é professor da Secretaria de Educação de Pernambuco e professor assistente da Universidade de Pernambuco. Tem experiência na área de Exercício Físico e Saúde, com ênfase em Gerontologia. Atua nas sub-áreas: aptidão física funcional no envelhecimento, exercício e saúde, educação para saúde no envelhecimento e reabilitação cardíaca.
Resumo:
Envelhecimento Ativo: um Marco Político as bases de um novo paradigma para o enfretamento das exigências atuais e futuras apresentadas pelo processo de envelhecimento em todo o mundo. A OMS sustenta que os países poderão lidar bem com o envelhecimento, desde que os governos e a sociedade civil envidem esforços por políticas e programas que melhorem a saúde, a participação social e a seguridade dos cidadãos em todas as fases da vida. Especialmente nos países em vias de desenvolvimento, ajudar a que as pessoas sigam sãs e ativas enquanto envelhecem, mais que um luxo, é uma absoluta necessidade. À medida que a pessoa envelhece, sua qualidade de vida se vê determinada, em grande parte, por sua capacidade para manter a autonomia e a independência. Esse conceito reveste-se de maior importância em um país como o nosso, em que a população envelhece aceleradamente sem desfrutar, em sua grande maioria, de condições básicas, condições que poderiam proporcionar um envelhecimento bem sucedido e digno. Para que o envelhecimento seja uma experiência positiva, deve vir acompanhado de oportunidades contínuas de saúde, participação e seguridade. Ao final dos anos 90, a Organização Mundial de Saúde denominou esse processo de Envelhecimento Ativo. O termo foi adotado com a intenção de transmitir uma mensagem mais completa que a de Envelhecimento Saudável, bem como reconhecer os fatores, que juntos com a atenção sanitária afetam a maneira de envelhecer dos indivíduos e das populações. Faz-se necessário, portanto, que as políticas e os programas voltados para o envelhecimento possibilitem as pessoas seguirem trabalhando de acordo com suas habilidades e preferências à medida que envelhecem, prevenindo ou retardando as incapacidades e enfermidades. Portanto que com pragmatismo e sensatez na provisão de recursos as sociedades com determinação de planejar e agir podem se permitir envelhecer sem sobressaltos.
Palavras Chaves: Envelhecimento ativo, saúde, qualidade de vida.
“O envelhecimento ativo depende de uma diversidade de determinantes que rodeiam as pessoas, as famílias e as sociedades. Estas determinantes, transversais, infraestruturais e atitudinais, interferem na qualidade de vida de todos os grupos etários, não só das pessoas de idade avançada.” (SMETHURST, 2004, p.151).
“Isso significa que qualquer esforço no sentido de promover o envelhecimento ativo resultará em efetiva melhoria na qualidade de vida de todos. Não se é possível atribuir uma causalidade direta a nenhuma delas; no entanto, um volumoso conjunto de evidências sugere que todas, em interação, são preditoras da qualidade do envelhecimento, tanto ao nível pessoal como das populações.” (SMETHURST, 2004, p.151).
“Uma medida objetiva da condição funcional pode ser obtida através de indicadores de aptidão física.” (SMETHURST, 2004, p.152).
Biografia:
William Serrano Smethurst
Possui graduação em Licenciatura Plena em Educação Física pela Universidade de Pernambuco (1983) e mestrado em Ciências do Desporto pela Universidade do Porto (2001), título revalidado pela Universidade Católica de Brasília (2006). Atualmente é professor da Secretaria de Educação de Pernambuco e professor assistente da Universidade de Pernambuco. Tem experiência na área de Exercício Físico e Saúde, com ênfase em Gerontologia. Atua nas sub-áreas: aptidão física funcional no envelhecimento, exercício e saúde, educação para saúde no envelhecimento e reabilitação cardíaca.
Resumo:
Envelhecimento Ativo: um Marco Político as bases de um novo paradigma para o enfretamento das exigências atuais e futuras apresentadas pelo processo de envelhecimento em todo o mundo. A OMS sustenta que os países poderão lidar bem com o envelhecimento, desde que os governos e a sociedade civil envidem esforços por políticas e programas que melhorem a saúde, a participação social e a seguridade dos cidadãos em todas as fases da vida. Especialmente nos países em vias de desenvolvimento, ajudar a que as pessoas sigam sãs e ativas enquanto envelhecem, mais que um luxo, é uma absoluta necessidade. À medida que a pessoa envelhece, sua qualidade de vida se vê determinada, em grande parte, por sua capacidade para manter a autonomia e a independência. Esse conceito reveste-se de maior importância em um país como o nosso, em que a população envelhece aceleradamente sem desfrutar, em sua grande maioria, de condições básicas, condições que poderiam proporcionar um envelhecimento bem sucedido e digno. Para que o envelhecimento seja uma experiência positiva, deve vir acompanhado de oportunidades contínuas de saúde, participação e seguridade. Ao final dos anos 90, a Organização Mundial de Saúde denominou esse processo de Envelhecimento Ativo. O termo foi adotado com a intenção de transmitir uma mensagem mais completa que a de Envelhecimento Saudável, bem como reconhecer os fatores, que juntos com a atenção sanitária afetam a maneira de envelhecer dos indivíduos e das populações. Faz-se necessário, portanto, que as políticas e os programas voltados para o envelhecimento possibilitem as pessoas seguirem trabalhando de acordo com suas habilidades e preferências à medida que envelhecem, prevenindo ou retardando as incapacidades e enfermidades. Portanto que com pragmatismo e sensatez na provisão de recursos as sociedades com determinação de planejar e agir podem se permitir envelhecer sem sobressaltos.
Palavras Chaves: Envelhecimento ativo, saúde, qualidade de vida.
“O envelhecimento ativo depende de uma diversidade de determinantes que rodeiam as pessoas, as famílias e as sociedades. Estas determinantes, transversais, infraestruturais e atitudinais, interferem na qualidade de vida de todos os grupos etários, não só das pessoas de idade avançada.” (SMETHURST, 2004, p.151).
“Isso significa que qualquer esforço no sentido de promover o envelhecimento ativo resultará em efetiva melhoria na qualidade de vida de todos. Não se é possível atribuir uma causalidade direta a nenhuma delas; no entanto, um volumoso conjunto de evidências sugere que todas, em interação, são preditoras da qualidade do envelhecimento, tanto ao nível pessoal como das populações.” (SMETHURST, 2004, p.151).
“Uma medida objetiva da condição funcional pode ser obtida através de indicadores de aptidão física.” (SMETHURST, 2004, p.152).
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Resenha
ASSIS, Monica de ; Envelhecimento ativo e promoção da saúde: reflexão para as ações educativas com idosos.Jan. 2005, pp.1-15 . Rio de Janeiro. Disponível em:
< http://www.nates.ufjf.br/novo/revista/pdf/v008n1/Envelhecimento.pdf.>. Acesso em: 16 mai. 2009.
Biografia:
Mônica de Assis
É graduada em Serviço Social (UERJ, 1985), sanitarista pela Escola Nacional de Saúde Pública (Fiocruz, 1988), mestre em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social (UERJ, 1992) e doutora em Ciências da Saúde pela Escola Nacional de Saúde Pública (Fiocruz, 2004). Atua na Coordenação de Prevenção e Vigilância do Câncer, do Instituto Nacional de Câncer / Ministério da Saúde. É coordenadora e docente do módulo de prevenção de doenças e promoção da saúde do Curso de Especialização em Geriatria e Gerontologia da UnATI / UERJ, no qual atua como orientadora dos trabalhos acadêmicos. Participa da Rede de Educação Popular em Saúde e desenvolve estudos nas áreas de saúde do idoso, promoção da saúde, educação popular em saúde, avaliação e detecção precoce do câncer.
Resumo:
O envelhecimento humano é um processo universal, progressivo e gradual. Trata-se de uma experiência diversificada entre os indivíduos, para a qual concorre uma multiplicidade de fatores de ordem genética, biológica, social, ambiental, psicológica e cultural. Não há uma correspondência linear entre idade cronológica e idade biológica. A variabilidade individual e os dois ritmos diferenciados de envelhecimento tendem a acentuar-se conforme as oportunidades e constrangimentos vigentes sob dadas condições sociais. O desenvolvimento conceitual contemporâneo da Promoção da Saúde tem como marco o Informe Lalonde, documento de reorientação da política de saúde do Canadá, lançado em 1974. Com base no conceito de campo da saúde, o documento estabeleceu a discussão sobre os limites do investimento crescente com assistência médica para melhorar a saúde da população. Os campos da Promoção de Saúde são definidos como estratégias que englobariam todos os seus determinantes: políticas públicas saudáveis, criação de ambientes favoráveis à saúde, reforço da ação comunitária, desenvolvimento de habilidades pessoais favoráveis e reorientação dos serviços de saúde. O ponto sobre as políticas públicas saudáveis é considerado um diferencial em relação ao entendimento prévio de Promoção da Saúde, mais associado à correção de comportamentos. A idéia de uma ação mais ampla e crítica na abordagem da Educação em Saúde comprometida com eqüidade e justiça social tem sido a linha adotada no Brasil por profissionais que se identificam com a Educação Popular em Saúde. Os princípios teórico-metodológicos da área têm raízes nas concepções pedagógicas de Paulo Freire e podem ser elencados sinteticamente como: concepção de saúde como qualidade de vida; valorização da cultura popular e de sua interação com o saber técnico-científico; estímulo ao diálogo e a processos reflexivos; priorização de metodologias participativas; opção filosófica política pela não-opressão; compromisso com justiça social e o fortalecimento dos movimentos oito sociais; humanização, afetividade e prática voltada à afirmação dos sujeitos. Tais princípios questionam a Educação em Saúde tradicional, limitada ao repasse de informações técnicas, de maneira verticalizada e desvinculada das condições de vida da população. Refere-se à adição de competência e habilidade do ser humano, como parte de um “projeto social” que tem como marco a investigação sobre estilos de vida baseada no contexto e no significado e não na responsabilização individual. O auto cuidado é uma estratégia fundamental da promoção da saúde e deve ser visto como uma das formas de expressão da autonomia. No que tange a informação cabe pontuar seu valor como principio ético habitualmente negligenciado na cultura hegemônica dos serviços de saúde. Bem cuidada, a informação facilita o estabelecimento de vínculo de confiança a partir do qual as pessoas possam ampliar seus recursos para compreender e atuar nas questões de saúde. Isso é especialmente importante na velhice pelo maior requerimento do auto cuidado na monitoração de doenças crônicas, tão necessárias quanto comum nessa fase. A participação popular como estratégia para interferência sobre determinantes da saúde que escapam ao comportamento individual tem centralidade no discurso da promoção da saúde e é apontada como caminho na construção de políticas públicas e ambientes favoráveis à saúde. A inserção de idosos em atividades sociais tem sido reconhecida como valiosa para a qualidade de vida deste segmento, com repercussões positivas na saúde. As ações educativas em saúde orientadas pela Educação Popular contribuem para uma visão integradora da promoção da saúde ao trazerem para debate a relação do Estado e das políticas públicas com as questões que envolvem a prevenção e o controle de doenças no contexto da vida cotidiana.
Palavras Chaves: Envelhecimento, saúde, promoção.
“A observação de padrões diferenciados de envelhecimento e a busca por compreender os determinantes da longevidade com qualidade de vida têm motivado estudos na linha de compreensão do que constituiria o bom envelhecer.” (ASSIS, 2005, p.2).
“O envelhecimento é um processo normal, dinâmico, e não uma doença. Enquanto o envelhecimento é um processo inevitável e irreversível, as condições crônicas e incapacitantes que freqüentemente acompanham o envelhecimento podem ser prevenidas ou retardadas, não só por intervenções médicas, mas também por intervenções sociais, econômicas e ambientais. (BRASIL, 1996, p.1).”
(ASSIS, 2005, p.3).
“O ponto sobre as políticas públicas saudáveis é considerado um diferencial em relação ao entendimento prévio de Promoção da Saúde, mais associado à correção de comportamentos.” (ASSIS, 2005, p.6).
“A experiência e os conhecimentos que informam a vida prática das pessoas são base para a abordagem educativa, cujo eixo metodológico deve ser criar contextos de intercomunicação favoráveis à expressão e à reflexão sobre como as pessoas lidam com a saúde/doença, as dificuldades que enfrentam e as estratégias correspondentes diante das adversidades do contexto social. Este reconhecimento do outro é ingrediente no processo de reforço da auto-estima das pessoas, dimensão desejada tanto para repercussões no nível individual (autocuidado em saúde), como coletivo (participação social e política).” (ASSIS, 2005, p.9).
“O cuidado de si depende, em alguma medida, da auto valorização de cada pessoa como ser singular e como cidadão. Aqui, igualmente, em se tratando de população idosa sobre a qual recaem estigmas e preconceitos socioculturais bem enraizados, o reforço da auto-estima configura-se como estratégia essencial do trabalho, potencialmente capaz de reagir a estes mesmos preconceitos e contribuir para alterar progressivamente o imaginário social de velhice.” (ASSIS, 2005, p.9).
“Do exposto ressalta-se a oportunidade de se estabelecer bases mais fecundas à comunicação nas práticas de saúde e de se reconhecer nelas os sujeitos. Isto importa não apenas pela importância de valores e disposições internas no autocuidado em saúde, mas também para trazer ao debate questões sociais, políticas e econômicas que interpõem-se como barreiras ou dificuldades nesse processo.” (ASSIS, 2005, p.10).
“O marco referencial da promoção da saúde converge com este horizonte, mas pode,
dentre os seus riscos, significar discurso amplo e práticas estreitas pelos interesses contraditórios aglutinados neste campo.” (ASSIS, 2005, p.12).
“A dimensão comportamental é parte do espectro de determinantes da promoção da saúde no envelhecimento e deve ser contemplada criticamente na prática dos profissionais de saúde, ao concebê-la em sua historicidade e articulação ao contexto socioeconômico, cultural, político e ideológico.” (ASSIS, 2005, p.13).
< http://www.nates.ufjf.br/novo/revista/pdf/v008n1/Envelhecimento.pdf.>. Acesso em: 16 mai. 2009.
Biografia:
Mônica de Assis
É graduada em Serviço Social (UERJ, 1985), sanitarista pela Escola Nacional de Saúde Pública (Fiocruz, 1988), mestre em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social (UERJ, 1992) e doutora em Ciências da Saúde pela Escola Nacional de Saúde Pública (Fiocruz, 2004). Atua na Coordenação de Prevenção e Vigilância do Câncer, do Instituto Nacional de Câncer / Ministério da Saúde. É coordenadora e docente do módulo de prevenção de doenças e promoção da saúde do Curso de Especialização em Geriatria e Gerontologia da UnATI / UERJ, no qual atua como orientadora dos trabalhos acadêmicos. Participa da Rede de Educação Popular em Saúde e desenvolve estudos nas áreas de saúde do idoso, promoção da saúde, educação popular em saúde, avaliação e detecção precoce do câncer.
Resumo:
O envelhecimento humano é um processo universal, progressivo e gradual. Trata-se de uma experiência diversificada entre os indivíduos, para a qual concorre uma multiplicidade de fatores de ordem genética, biológica, social, ambiental, psicológica e cultural. Não há uma correspondência linear entre idade cronológica e idade biológica. A variabilidade individual e os dois ritmos diferenciados de envelhecimento tendem a acentuar-se conforme as oportunidades e constrangimentos vigentes sob dadas condições sociais. O desenvolvimento conceitual contemporâneo da Promoção da Saúde tem como marco o Informe Lalonde, documento de reorientação da política de saúde do Canadá, lançado em 1974. Com base no conceito de campo da saúde, o documento estabeleceu a discussão sobre os limites do investimento crescente com assistência médica para melhorar a saúde da população. Os campos da Promoção de Saúde são definidos como estratégias que englobariam todos os seus determinantes: políticas públicas saudáveis, criação de ambientes favoráveis à saúde, reforço da ação comunitária, desenvolvimento de habilidades pessoais favoráveis e reorientação dos serviços de saúde. O ponto sobre as políticas públicas saudáveis é considerado um diferencial em relação ao entendimento prévio de Promoção da Saúde, mais associado à correção de comportamentos. A idéia de uma ação mais ampla e crítica na abordagem da Educação em Saúde comprometida com eqüidade e justiça social tem sido a linha adotada no Brasil por profissionais que se identificam com a Educação Popular em Saúde. Os princípios teórico-metodológicos da área têm raízes nas concepções pedagógicas de Paulo Freire e podem ser elencados sinteticamente como: concepção de saúde como qualidade de vida; valorização da cultura popular e de sua interação com o saber técnico-científico; estímulo ao diálogo e a processos reflexivos; priorização de metodologias participativas; opção filosófica política pela não-opressão; compromisso com justiça social e o fortalecimento dos movimentos oito sociais; humanização, afetividade e prática voltada à afirmação dos sujeitos. Tais princípios questionam a Educação em Saúde tradicional, limitada ao repasse de informações técnicas, de maneira verticalizada e desvinculada das condições de vida da população. Refere-se à adição de competência e habilidade do ser humano, como parte de um “projeto social” que tem como marco a investigação sobre estilos de vida baseada no contexto e no significado e não na responsabilização individual. O auto cuidado é uma estratégia fundamental da promoção da saúde e deve ser visto como uma das formas de expressão da autonomia. No que tange a informação cabe pontuar seu valor como principio ético habitualmente negligenciado na cultura hegemônica dos serviços de saúde. Bem cuidada, a informação facilita o estabelecimento de vínculo de confiança a partir do qual as pessoas possam ampliar seus recursos para compreender e atuar nas questões de saúde. Isso é especialmente importante na velhice pelo maior requerimento do auto cuidado na monitoração de doenças crônicas, tão necessárias quanto comum nessa fase. A participação popular como estratégia para interferência sobre determinantes da saúde que escapam ao comportamento individual tem centralidade no discurso da promoção da saúde e é apontada como caminho na construção de políticas públicas e ambientes favoráveis à saúde. A inserção de idosos em atividades sociais tem sido reconhecida como valiosa para a qualidade de vida deste segmento, com repercussões positivas na saúde. As ações educativas em saúde orientadas pela Educação Popular contribuem para uma visão integradora da promoção da saúde ao trazerem para debate a relação do Estado e das políticas públicas com as questões que envolvem a prevenção e o controle de doenças no contexto da vida cotidiana.
Palavras Chaves: Envelhecimento, saúde, promoção.
“A observação de padrões diferenciados de envelhecimento e a busca por compreender os determinantes da longevidade com qualidade de vida têm motivado estudos na linha de compreensão do que constituiria o bom envelhecer.” (ASSIS, 2005, p.2).
“O envelhecimento é um processo normal, dinâmico, e não uma doença. Enquanto o envelhecimento é um processo inevitável e irreversível, as condições crônicas e incapacitantes que freqüentemente acompanham o envelhecimento podem ser prevenidas ou retardadas, não só por intervenções médicas, mas também por intervenções sociais, econômicas e ambientais. (BRASIL, 1996, p.1).”
(ASSIS, 2005, p.3).
“O ponto sobre as políticas públicas saudáveis é considerado um diferencial em relação ao entendimento prévio de Promoção da Saúde, mais associado à correção de comportamentos.” (ASSIS, 2005, p.6).
“A experiência e os conhecimentos que informam a vida prática das pessoas são base para a abordagem educativa, cujo eixo metodológico deve ser criar contextos de intercomunicação favoráveis à expressão e à reflexão sobre como as pessoas lidam com a saúde/doença, as dificuldades que enfrentam e as estratégias correspondentes diante das adversidades do contexto social. Este reconhecimento do outro é ingrediente no processo de reforço da auto-estima das pessoas, dimensão desejada tanto para repercussões no nível individual (autocuidado em saúde), como coletivo (participação social e política).” (ASSIS, 2005, p.9).
“O cuidado de si depende, em alguma medida, da auto valorização de cada pessoa como ser singular e como cidadão. Aqui, igualmente, em se tratando de população idosa sobre a qual recaem estigmas e preconceitos socioculturais bem enraizados, o reforço da auto-estima configura-se como estratégia essencial do trabalho, potencialmente capaz de reagir a estes mesmos preconceitos e contribuir para alterar progressivamente o imaginário social de velhice.” (ASSIS, 2005, p.9).
“Do exposto ressalta-se a oportunidade de se estabelecer bases mais fecundas à comunicação nas práticas de saúde e de se reconhecer nelas os sujeitos. Isto importa não apenas pela importância de valores e disposições internas no autocuidado em saúde, mas também para trazer ao debate questões sociais, políticas e econômicas que interpõem-se como barreiras ou dificuldades nesse processo.” (ASSIS, 2005, p.10).
“O marco referencial da promoção da saúde converge com este horizonte, mas pode,
dentre os seus riscos, significar discurso amplo e práticas estreitas pelos interesses contraditórios aglutinados neste campo.” (ASSIS, 2005, p.12).
“A dimensão comportamental é parte do espectro de determinantes da promoção da saúde no envelhecimento e deve ser contemplada criticamente na prática dos profissionais de saúde, ao concebê-la em sua historicidade e articulação ao contexto socioeconômico, cultural, político e ideológico.” (ASSIS, 2005, p.13).
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Resenha
TEIXEIRA, Ilka Nicéia D’Aquino Oliveira e NERI, Anita Liberalesso. Envelhecimento bem-sucedido: uma meta no curso da vida Successful aging: a goal in the course of life. Psicol. USP [online]. 2008, vol. 19, no. 1, pp. 81-94. ISSN 1678-5177.
Biografia:
Anita Liberalesso Neri
Professora Titular na Faculdade de Educação da Unicamp (1995), obteve os títulos de Livre Docente em Educação pela Unicamp (1988) e de Doutora e Mestre em Psicologia pelo Instituto de Psicologia da USP, em 1972 e 1976. É graduada em Psicologia pela Universiadde de Mogi das Cruzes e licenciada em Pedagogia pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras Nossa Senhora do Patrocínio de Itu. Foi Cientista Visitante no Institudo Max Planck for Human Development and Education em Berlim, Alemanha, em 1994 e 1998. Introduziu o paradigma lifespan em Psicologia e em Gerontologia no Brasil. Seus interesses em pesquisa nos campos da Psicologia do Envelhecimento e da Gerontologia incluem: bem-estar psicológico, mecanismos de auto-regulação do self, atitudes em relação à velhice e paradigma lifespan.
Ilka Nicéia D’ Aquino Oliveira Teixeira
Possui licenciatura em Letras nas habilitações Português, Inglês e Literatura norte americana e britânica pela Universidade Federal de Minas Gerais. É bacharel em Terapia Ocupacional pela Universidade Federal de Minas Gerais e Mestre em Gerontologia pela Universidade Estadual de Campinas. Faz parte do Grupo Multiprofissional de Pesquisa sobre Idosos da Universidade Federal do Paraná.
Resumo:
Vários trabalhos foram realizados por vários pesquisadores, que incluíram no tema de suas pesquisas sobre envelhecimento bem sucedido, a performance física, relações entre a auto-estima endócrino, função cognitiva e associações entre carga alostática e saúde.A principal característica do envelhecimento saudável é a capacidade de aceitação das mudanças fisiológicas decorrentes da idade. Envelhecer com saúde refere-se a um conceito pessoal cujo planejamento deve ser focalizado na história do indivíduo, nos atributos físicos e nas expectativas individuais, constituindo-se, portanto, numa jornada e não num fim. Este artigo propõe uma reflexão sobre o significado do envelhecimento bem-sucedido. Dar-se a ênfase à hipótese de que a subjetividade conceitual está relacionada às particularidades individuais e às diferenças socioculturais. As perspectivas biomédicas e psicossociais, basicamente levam-se em consideração apenas três aspectos: primeiro a probabilidade baixa de doenças e de incapacidades relacionadas às mes¬mas; segundo a alta capacidade funcional cognitiva e física; terceiro o engajamento ativo com a vida. A hierarquia entre os componentes é representada pela inte¬gridade das funções física e mental. Essas funções atuam como potencial para a realização das atividades sociais, envolvendo as relações interpesso¬ais e as atividades produtivas, remuneradas ou não. Os pesquisadores ressaltam que indivíduos muito idosos se encontram no limite da capacidade funcional, havendo necessidade de planejamento e implementação de medidas que tornem efetivas as intervenções para redução da prevalência de fragilidade física e da mortalidade psicológica, caracterizada por perdas da identidade, autonomia e senso de controle. Também leva-se em consideração à perda dos entes queridos, que em muito abala a saúde do idoso. Existe também a preocupação da sociedade, que poderia proporcionar oportunidades de envelhecimento digno ao implantarem recursos externos por meio de políticas públicas. As doenças e limitações não impossibilitam a experiência pessoal de velhice bem – sucedida. Muitos idosos relatam estar envelhecendo bem, embora os resultados de testes clinicamente objetivos demonstrem uma condição desfavorável de saúde. Isso depende muito também de cada cultura, de cada país.
Palavras Chaves: Envelhecimento, saúde do idoso, qualidade de vida.
“As definições de envelhecimento saudável, ativo, robusto e bem-su¬cedido não encontram sustentação nos estudos que consideram apenas a longevidade como critério. O processo envolve múltiplos fatores individu¬ais, sociais e ambientais, determinantes e modificadores da saúde.” (NERI E TEIXEIRA, 2008, p.91).
“O conceito gera debates porque depende de uma apreciação in¬dividual que é justificada no bem-estar subjetivo. São infinitas as formas de sentir e avaliar a própria vida, de maneira que a interpretação literal da expressão “bem-sucedido” sugere uma noção simplista de sucesso ou fra-casso. Para ampliar o conhecimento dos profissionais de saúde sobre as competências dos idosos, as pesquisas sobre o tema devem ser conduzi¬das pela perspectiva integrada: análise dos dados objetivos e das percep¬ções pessoais.” (NERI E TEIXEIRA, 2008, p.91).
“O envelhecimento bem-sucedido aproxima-se de um princípio orga¬nizacional para alcance de metas, que ultrapassa a objetividade da saúde física, expandindo-se em um continuum multidimensional. A ênfase recai sobre a percepção pessoal das possibilidades de adaptação às mudanças advindas do envelhecimento e condições associadas.” (NERI E TEIXEIRA, 2008, p.91).
“Envelhecer bem é uma questão pragmática de valores particulares que permeiam o curso da vida, incluindo as condições próximas da morte. A implementação de programas que elevam o nível de qualidade de vida dos idosos pode prescindir, temporariamente, da definição uniforme desse fenômeno.” (NERI E TEIXEIRA, 2008, p.91).
“O objetivo de muitos idosos e profissionais tem sido a promo¬ção de saúde e bem-estar nessa fase da vida, seja referindo-se ao envelhe¬cimento saudável, produtivo, ativo ou bem-sucedido.” (NERI E TEIXEIRA, 2008, p.91).
Biografia:
Anita Liberalesso Neri
Professora Titular na Faculdade de Educação da Unicamp (1995), obteve os títulos de Livre Docente em Educação pela Unicamp (1988) e de Doutora e Mestre em Psicologia pelo Instituto de Psicologia da USP, em 1972 e 1976. É graduada em Psicologia pela Universiadde de Mogi das Cruzes e licenciada em Pedagogia pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras Nossa Senhora do Patrocínio de Itu. Foi Cientista Visitante no Institudo Max Planck for Human Development and Education em Berlim, Alemanha, em 1994 e 1998. Introduziu o paradigma lifespan em Psicologia e em Gerontologia no Brasil. Seus interesses em pesquisa nos campos da Psicologia do Envelhecimento e da Gerontologia incluem: bem-estar psicológico, mecanismos de auto-regulação do self, atitudes em relação à velhice e paradigma lifespan.
Ilka Nicéia D’ Aquino Oliveira Teixeira
Possui licenciatura em Letras nas habilitações Português, Inglês e Literatura norte americana e britânica pela Universidade Federal de Minas Gerais. É bacharel em Terapia Ocupacional pela Universidade Federal de Minas Gerais e Mestre em Gerontologia pela Universidade Estadual de Campinas. Faz parte do Grupo Multiprofissional de Pesquisa sobre Idosos da Universidade Federal do Paraná.
Resumo:
Vários trabalhos foram realizados por vários pesquisadores, que incluíram no tema de suas pesquisas sobre envelhecimento bem sucedido, a performance física, relações entre a auto-estima endócrino, função cognitiva e associações entre carga alostática e saúde.A principal característica do envelhecimento saudável é a capacidade de aceitação das mudanças fisiológicas decorrentes da idade. Envelhecer com saúde refere-se a um conceito pessoal cujo planejamento deve ser focalizado na história do indivíduo, nos atributos físicos e nas expectativas individuais, constituindo-se, portanto, numa jornada e não num fim. Este artigo propõe uma reflexão sobre o significado do envelhecimento bem-sucedido. Dar-se a ênfase à hipótese de que a subjetividade conceitual está relacionada às particularidades individuais e às diferenças socioculturais. As perspectivas biomédicas e psicossociais, basicamente levam-se em consideração apenas três aspectos: primeiro a probabilidade baixa de doenças e de incapacidades relacionadas às mes¬mas; segundo a alta capacidade funcional cognitiva e física; terceiro o engajamento ativo com a vida. A hierarquia entre os componentes é representada pela inte¬gridade das funções física e mental. Essas funções atuam como potencial para a realização das atividades sociais, envolvendo as relações interpesso¬ais e as atividades produtivas, remuneradas ou não. Os pesquisadores ressaltam que indivíduos muito idosos se encontram no limite da capacidade funcional, havendo necessidade de planejamento e implementação de medidas que tornem efetivas as intervenções para redução da prevalência de fragilidade física e da mortalidade psicológica, caracterizada por perdas da identidade, autonomia e senso de controle. Também leva-se em consideração à perda dos entes queridos, que em muito abala a saúde do idoso. Existe também a preocupação da sociedade, que poderia proporcionar oportunidades de envelhecimento digno ao implantarem recursos externos por meio de políticas públicas. As doenças e limitações não impossibilitam a experiência pessoal de velhice bem – sucedida. Muitos idosos relatam estar envelhecendo bem, embora os resultados de testes clinicamente objetivos demonstrem uma condição desfavorável de saúde. Isso depende muito também de cada cultura, de cada país.
Palavras Chaves: Envelhecimento, saúde do idoso, qualidade de vida.
“As definições de envelhecimento saudável, ativo, robusto e bem-su¬cedido não encontram sustentação nos estudos que consideram apenas a longevidade como critério. O processo envolve múltiplos fatores individu¬ais, sociais e ambientais, determinantes e modificadores da saúde.” (NERI E TEIXEIRA, 2008, p.91).
“O conceito gera debates porque depende de uma apreciação in¬dividual que é justificada no bem-estar subjetivo. São infinitas as formas de sentir e avaliar a própria vida, de maneira que a interpretação literal da expressão “bem-sucedido” sugere uma noção simplista de sucesso ou fra-casso. Para ampliar o conhecimento dos profissionais de saúde sobre as competências dos idosos, as pesquisas sobre o tema devem ser conduzi¬das pela perspectiva integrada: análise dos dados objetivos e das percep¬ções pessoais.” (NERI E TEIXEIRA, 2008, p.91).
“O envelhecimento bem-sucedido aproxima-se de um princípio orga¬nizacional para alcance de metas, que ultrapassa a objetividade da saúde física, expandindo-se em um continuum multidimensional. A ênfase recai sobre a percepção pessoal das possibilidades de adaptação às mudanças advindas do envelhecimento e condições associadas.” (NERI E TEIXEIRA, 2008, p.91).
“Envelhecer bem é uma questão pragmática de valores particulares que permeiam o curso da vida, incluindo as condições próximas da morte. A implementação de programas que elevam o nível de qualidade de vida dos idosos pode prescindir, temporariamente, da definição uniforme desse fenômeno.” (NERI E TEIXEIRA, 2008, p.91).
“O objetivo de muitos idosos e profissionais tem sido a promo¬ção de saúde e bem-estar nessa fase da vida, seja referindo-se ao envelhe¬cimento saudável, produtivo, ativo ou bem-sucedido.” (NERI E TEIXEIRA, 2008, p.91).
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Resenhas
O PROCESSO DE APRENDIZAGEM DO IDOSO: desafios e conquistas
Falar em aprendizagem e conhecimento implica falar tanto em aprender sobre algo, aprender com alguém e aprender sobre si próprio (autor, ano). Isso porque aprender envolve relações sociais, palavras, modelos e implica acima de tudo saber transformar o que aprendeu em ações. Aprender engloba incorporar eventos diferentes, em diferentes momentos. Portanto, para cada pessoa e certamente para diferentes idades esses “eventos” produzem efeitos e significados diversos.
Em relação à idade questiona-se como os idosos aprendem a lidar com as dificuldades relacionadas ao fator envelhecimento, como por exemplo, a dificuldade de andar, de ouvir, a diminuição da visão e outras habilidades e competências que podem comprometer seu desempenho cotidiano em relação à agilidade, à presteza, à resolutibilidade de situações problemas. Todos esses fatores provocam, no idoso, a necessidade de novas aprendizagens, processos de negociação e adaptação em relação a si próprio e em relação ao mundo.
Segundo Catania (1999) a criança tem seu comportamento modelado por conseqüências e cada uma, influenciada pelo modelo vivenciado encontrará sua maneira própria de agir em vista de determinada situação.
Partindo desse referencial, o caso do idoso não é diferente. Dependendo do meio onde vive, de suas condições físicas, emocionais, biológicas, o idoso passará também por um novo processo de reconstrução comportamental correlacionando tanto os aspectos funcionais (comportamental) quanto os estruturais (cognitivo e mental).
Esta correlação de funcional e estrutural determinará o nível de qualidade de vida que esse idoso irá desenvolver. Os fatores ambientais e ações especificas provenientes desses fatores juntamente com sua capacidades física-mental-biológicas, habilidades particulares, processos cognitivos, nível de conhecimento, vivências anteriores serão decisivos para essa determinação. Por exemplo, o idoso com dificuldade em movimentar-se quando entra para uma academia, ou fisioterapia, buscando uma melhora estabelece uma condição funcional para a prevenção de doenças e promoção de sua saúde. E, ainda, quando desenvolve hábitos de leitura, trabalhos manuais, jogos, mantém ativo os processos mentais fundamentais para a cognição e a manutenção de sua memória, garantindo assim do ponto de vista estrutural os elementos necessários ao raciocínio, à tomada de decisão, à reflexão.
O viver é um processo marcado por aprendizagens, aprende-se na infância, na adolescência, na vida adulta e também na velhice. Os períodos anteriores talvez sejam mais facilmente demarcados de maneira progressiva, até mesmo por serem mais claramente definidos através de mudanças físicas, hormonais, aquisição de habilidades, tais como aprender falar, andar... Na velhice, o progressivo muitas vezes não é apresentado ao exterior em forma de evolução, transformação, mas principalmente, e fundamentalmente, deve ser incorporado intra psíquicamente como maneira de garantir a expressão da subjetividade e a não alienação desse sujeito sócio histórico.
Além do mais, o que é ser idoso? O que é velhice? O que determina a entrada nesse status é a idade cronológica? Não. Não há um acontecimento que marque claramente ou estabeleça a velhice, já que o fator idade não é determinante na qualidade de vida. Assim, indivíduos de 50 anos podem estar mais velhos que outros de 60 ou 70 anos que aprenderam a lidar e a gerenciar suas limitações.
Por outro lado, é possível encontrar pessoas ditas jovens e que por um fracasso em seu processo de auto regulação (Bandura, 2008) não apresentam auto eficácia em lidar com as perdas, com a realidade, revelando alterações na aparência, no comportamento, no desempenho social.
Assim, os detalhes devem ser considerados: comportamentos de ansiedade, dificuldade de memorização, lapsos de memória, depressões e dificuldade de interação com os mais jovens devem ser ao mesmo tempo contextualizados e individualizados. Deve-se incentivar atitudes de mudança quanto a hierarquias comportamentais, tornando prioritária a busca pela qualidade de vida, mais que a beleza ou outros fatores que antes eram prioritários na juventude.
A aceitação de si mesmo como idoso, o apoio da família, a disposição para aprender novas tarefas são fatores determinantes na qualidade de vida do idoso e facilitadores para a aprendizagem de sua realidade atual que pode continuar sendo produtiva e feliz.
Em relação à idade questiona-se como os idosos aprendem a lidar com as dificuldades relacionadas ao fator envelhecimento, como por exemplo, a dificuldade de andar, de ouvir, a diminuição da visão e outras habilidades e competências que podem comprometer seu desempenho cotidiano em relação à agilidade, à presteza, à resolutibilidade de situações problemas. Todos esses fatores provocam, no idoso, a necessidade de novas aprendizagens, processos de negociação e adaptação em relação a si próprio e em relação ao mundo.
Segundo Catania (1999) a criança tem seu comportamento modelado por conseqüências e cada uma, influenciada pelo modelo vivenciado encontrará sua maneira própria de agir em vista de determinada situação.
Partindo desse referencial, o caso do idoso não é diferente. Dependendo do meio onde vive, de suas condições físicas, emocionais, biológicas, o idoso passará também por um novo processo de reconstrução comportamental correlacionando tanto os aspectos funcionais (comportamental) quanto os estruturais (cognitivo e mental).
Esta correlação de funcional e estrutural determinará o nível de qualidade de vida que esse idoso irá desenvolver. Os fatores ambientais e ações especificas provenientes desses fatores juntamente com sua capacidades física-mental-biológicas, habilidades particulares, processos cognitivos, nível de conhecimento, vivências anteriores serão decisivos para essa determinação. Por exemplo, o idoso com dificuldade em movimentar-se quando entra para uma academia, ou fisioterapia, buscando uma melhora estabelece uma condição funcional para a prevenção de doenças e promoção de sua saúde. E, ainda, quando desenvolve hábitos de leitura, trabalhos manuais, jogos, mantém ativo os processos mentais fundamentais para a cognição e a manutenção de sua memória, garantindo assim do ponto de vista estrutural os elementos necessários ao raciocínio, à tomada de decisão, à reflexão.
O viver é um processo marcado por aprendizagens, aprende-se na infância, na adolescência, na vida adulta e também na velhice. Os períodos anteriores talvez sejam mais facilmente demarcados de maneira progressiva, até mesmo por serem mais claramente definidos através de mudanças físicas, hormonais, aquisição de habilidades, tais como aprender falar, andar... Na velhice, o progressivo muitas vezes não é apresentado ao exterior em forma de evolução, transformação, mas principalmente, e fundamentalmente, deve ser incorporado intra psíquicamente como maneira de garantir a expressão da subjetividade e a não alienação desse sujeito sócio histórico.
Além do mais, o que é ser idoso? O que é velhice? O que determina a entrada nesse status é a idade cronológica? Não. Não há um acontecimento que marque claramente ou estabeleça a velhice, já que o fator idade não é determinante na qualidade de vida. Assim, indivíduos de 50 anos podem estar mais velhos que outros de 60 ou 70 anos que aprenderam a lidar e a gerenciar suas limitações.
Por outro lado, é possível encontrar pessoas ditas jovens e que por um fracasso em seu processo de auto regulação (Bandura, 2008) não apresentam auto eficácia em lidar com as perdas, com a realidade, revelando alterações na aparência, no comportamento, no desempenho social.
Assim, os detalhes devem ser considerados: comportamentos de ansiedade, dificuldade de memorização, lapsos de memória, depressões e dificuldade de interação com os mais jovens devem ser ao mesmo tempo contextualizados e individualizados. Deve-se incentivar atitudes de mudança quanto a hierarquias comportamentais, tornando prioritária a busca pela qualidade de vida, mais que a beleza ou outros fatores que antes eram prioritários na juventude.
A aceitação de si mesmo como idoso, o apoio da família, a disposição para aprender novas tarefas são fatores determinantes na qualidade de vida do idoso e facilitadores para a aprendizagem de sua realidade atual que pode continuar sendo produtiva e feliz.
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Condições associadas ao grau de satisfação com a vida entre a população de idosos
Rev Saúde Pública 2007;41(1):131-8
Luciane Cristina JoiaI
Tania RuizII
Maria Rita DonalisioIII
Life satisfaction among elderly
population in the city of Botucatu,
Southern Brazil
RESUMO
OBJETIVO: Com o aumento geral da sobrevida da população, torna-se importante
garantir aos idosos não apenas maior longevidade, mas felicidade e satisfação com a
vida. O objetivo do estudo foi descrever os fatores associados ao grau de satisfação
com a vida entre a população de idosos.
MÉTODOS: Foram entrevistados 365 idosos no município de Botucatu, SP, em
2003, selecionados por meio de amostragem estratificada proporcional e aleatória.
Utilizou-se uma composição dos questionários de Flanagan, de Nahas e o WHOQOL
100. Para complementar o inquérito, foram acrescentadas questões sobre atividade
física do Questionário Internacional de Atividade Física; perguntas sobre morbidade
referida e avaliação emocional, situação sociodemográfica, além de uma pergunta
aberta. O grau de satisfação com a vida foi medido numa escala de um a sete,
utilizando reconhecimento visual. Foi realizada análise de regressão logística
hierarquizada, considerando como variável dependente a “satisfação com a vida” e
variáveis independentes àquelas que compuseram o questionário final, em blocos.
RESULTADOS: A maioria dos idosos estava satisfeita com sua vida em geral e em
aspectos específicos. Associou-se com o grau de satisfação com a vida: conforto
domiciliar (OR=11,82; IC 95%: 3,27; 42,63); valorizar o lazer como qualidade de
vida (OR=3,82; IC 95%: 2,28; 6,39); acordar bem pela manhã (OR=2,80; IC 95%:
1,47; 5,36); não referir solidão (OR=2,68; IC 95%: 1,54; 4,65); fazer três ou mais
refeições diárias (OR=2,63; IC 95%: 1,75; 5,90) e referência de não possuir Diabetes
Mellitus (OR=2,63; IC 95%: 1,31; 5,27).
CONCLUSÕES: Os idosos, em sua maioria, estavam satisfeitos com a vida e isso
se associou a situações relacionadas com o “bem-estar” e a não referência de Diabetes
Mellitus.
DESCRITORES: Idoso. Qualidade de vida. Estilo de vida. Questionários.
Faculdade São Francisco de Barreiras.
Barreiras, BA, Brasil
I I Departamento de Saúde Pública.
Faculdade de Medicina de Botucatu.
Universidade Estadual Paulista Julio de
Mesquita. Botucatu, SP, Brasil
I I I Departamento de Medicina Preventiva e
Social. Faculdade de Ciências Médicas.
Universidade Estadual de Campinas.
Campinas, SP, Brasil
Correspondência | Correspondence:
Luciane Cristina Joia
Rodovia BR 135 km 1 n. 2341 Boa Sorte
47805-270 Barreiras, BA, Brasil
E-mail: lucianejoia@yahoo.com.br
Recebido: 10/7/2006 Aprovado: 11/9/2006
ABSTRACT
OBJECTIVE: As a result of overall growing population’s life expectancy, it has
become increasingly important to ensure not only that the elderly have greater longevity
but also happiness and life satisfaction. The objective of the study was to describe
factors associated with life satisfaction among elderly people.
METHODS:Three hundred and sixty-five older persons, selected by means of random
stratified proportional sampling, were interviewed in 2003. The instrument used was a
132 Condições associadas à satisfação com a vida
Joia LC et al
Rev Saúde Pública 2007;41(1):131-8
combination of Flanagan and Nahas questionnaires and WHOQOL-100. There were
added questions concerning physical activity extracted from International Physical Activity
Questionnaire, questions regarding reported morbidity and emotional assessment,
sociodemographic condition and an open question. The level of life satisfaction was
measured using a scale from one to seven by means of visual recognition. Hierarchical
logistic regression analysis was performed including “life satisfaction” as a dependent
variable and those included the final questionnaire, in blocks, as independent variables.
RESULTS: Most elderly were generally rather satisfied with life as well as with
specific aspects. The level of life satisfaction was associated with: comfort at home
(OR=11.82; 95% CI: 3.27; 42.63); appraising leisure as quality of life (OR=3.82;
95% CI: 2.28; 6.39); waking up feeling well in the morning (OR=2.80; 95% CI: 1.47;
5.36); not reporting loneliness (OR=2.68; 95% CI: 1.54; 4.65); having three or more
daily meals (OR=2.63; 95% CI: 1.75; 5.90) and not reporting Diabetes Mellitus
(OR=2.63; 95% CI: 1.31; 5.27).
CONCLUSIONS: Most elderly in the study were satisfied with life and their satisfaction
was associated with situations related to “being well” and not being diabetic.
KEYWORDS: Aged. Quality of life. Life style. Questionnaires.
INTRODUÇÃO
Nas últimas três décadas, a população brasileira vem
envelhecendo em ritmo mais acelerado devido, principalmente,
à rapidez com que declinaram as taxas
de fecundidade.4
Com o aumento geral da sobrevida da população,
ressalta-se a importância de garantir aos idosos não
apenas maior longevidade, mas felicidade, qualidade
de vida e satisfação pessoal.
Satisfação é um fenômeno complexo e de difícil mensuração,
por se tratar de um estado subjetivo. Define,
com maior precisão a experiência de vida em
relação às várias condições de vida do indivíduo. A
satisfação com a vida é um julgamento cognitivo de
alguns domínios específicos na vida como saúde,
trabalho, condições de moradia, relações sociais,
automonia entre outros, ou seja, um processo de
juízo e avaliação geral da própria vida de acordo
com um critério próprio. O julgamento da satisfação
depende de uma comparação entre as circunstâncias
de vida do indivíduo e um padrão por ele estabelecido.
1 Satisfação reflete, em parte, o bem-estar
subjetivo individual, ou seja, o modo e os motivos
que levam as pessoas a viverem suas experiências
de vida de maneira positiva.
Albuquerque & Tróccoli1 (2004) relataram que o bem-
estar subjetivo busca compreender a avaliação que
os indivíduos fazem de suas vidas, em relação aos
aspectos: felicidade, satisfação, estado de espírito,
afeto positivo, sendo considerada por alguns autores
uma avaliação subjetiva da qualidade de vida.
Segundo Ferrans & Power9 (1992), um dos parâmetros
importantes para avaliação da qualidade de vida seria
a satisfação, salientando ainda, que a satisfação
com a vida incluiria aspectos de interação familiar e
social, desempenho físico e exercício profissional.
A qualidade de vida e a satisfação na velhice têm
sido muitas vezes associada a questões de dependência-
autonomia, sendo importante distinguir os “efeitos
da idade”. Algumas pessoas apresentam declínio
no estado de saúde e nas competências cognitivas
precocemente, enquanto outras vivem saudáveis até
idades muito avançadas.
A literatura conceitua de maneira semelhante os termos
“envelhecimento bem sucedido”, “envelhecimento
ativo” e “qualidade de vida na velhice”, sob o
foco de satisfação com a vida.3 Paschoal17 (1996) cita
que a satisfação de vida, de forma indireta, refletiria a
qualidade de vida e seria também uma dimensão chave
nas avaliações de estado de saúde na velhice.
O objetivo do presente trabalho foi descrever os fatores
associados ao grau de satisfação com a vida entre
a população de idosos.
MÉTODOS
Realizou-se no ano de 2003 um estudo transversal com
indivíduos de idade igual ou superior a 60 anos, moradores
do município de Botucatu, SP. Os idosos foram
selecionados por amostragem aleatória e proporcional
entre os domicílios residenciais. Para a identificação
dos domicílios foi utilizado um cadastro contemplando
nove mil famílias alocadas aleatoriamente, sorteadas
Rev Saúde Pública 2007;41(1):131-8 Condições associadas à satisfação com a vida 133
Joia LC et al
por meio de uma escala de 4/1 domicílios residenciais
(26% dos domicílios do município, considerando 1%
de ajuste).5 Em seguida selecionou-se aleatoriamente
neste cadastro moradores com idade igual ou superior
a 60 anos.
Calculou-se o tamanho da população alvo, considerando
um erro amostral de 5% relativo e intervalo de
confiança de 95% (a bilateral de 0,025); uma prevalência
da característica de interesse de 0,5%, desprezando-
se o fator de correção da redução de heterogeneidade
associada ao desenho de conglomerado. Assim,
o tamanho amostral mínimo necessário foi de
384 idosos.
Do total da amostra sorteada, cinco domicílios estavam
fechados em mais de três visitas, três eram casas
de veraneio e 11 idosos tinham ido a óbito, totalizando
365 idosos dos 384 sorteados. Foram perdidos,
portanto, 5% da amostra inicialmente estimada.
O instrumento de coleta de dados foi composto por
três questionários: a Escala de Qualidade de Vida de
Flanagan11 (1976), Perfil do Estilo de Vida Individual
confeccionado por Nahas et al15 (2000) e
WHOQOL-100 (World Health Organization Quality
of Life) elaborado pela Organização Mundial da
Saúde (OMS) e validado no Brasil por Fleck et al12
(1999). Para complementar o inquérito foram acrescentadas
questões sobre atividade física, por meio
da aplicação do Questionário Internacional de Atividade
Física (IPAQ) proposto pela OMS e validado
no Brasil por Matsudo et al14 (2001), perguntas sobre
morbidade referida e estado emocional, situação
sociodemográfica, e uma pergunta aberta “O
que é qualidade de vida para o senhor(a)?”.
Em estudo piloto com 15 idosos não pertencentes à
amostra, verificou-se que a forma de construto dos
questionários não se aplicava à realidade dos idosos,
que apresentaram dificuldade de interpretação das
questões. Além disso, a acuidade visual, com freqüência
diminuída entre os idosos, dificultava muitas vezes
a leitura do instrumento. Como a auto-aplicação
excluiria idosos não alfabetizados e tratando-se de
um estudo populacional, a exclusão dessa população
comprometeria a representatividade da amostra.
Em função disso, foram feitas adaptações aos questionários
validados. A adaptação mais importante foi
do uso da “Escala de Motivação” para avaliar o grau
de satisfação com a vida. Esta escala consiste em sete
rostos desenhados, com as expressões de uma face
neutra, três desmotivadas e três motivadas.*
O instrumento final incluiu: dados sociodemográfi
cos do idoso e seus familiares; domínios de bem-estar
(saúde, potenciais e limitações), de prevenção (nutrição,
vícios, acidentes), de conforto material (utensílios
domésticos e residenciais, localização residencial,
situação financeira), de relacionamento íntimo
e familiar; relações sociais (amizades, lazer, entretenimento),
de desenvolvimento intelectual e habilidades,
de controle do estresse, de atividade física, de
avaliação do estado emocional do idoso, perguntas
sobre morbidade referida e vacinação, além da pergunta
aberta já mencionada.
O inquérito foi realizado nos meses de março a maio
de 2003, por sete entrevistadores treinados.
Após a coleta dos dados, realizou-se a descrição simples
de todas as variáveis, segundo a distribuição
de seus valores ou segundo a lógica do seu conteúdo.
A questão aberta foi analisada com método qualitativo,
identificando-se categorias no conteúdo
das respostas.
Foi estimada a associação univariada com o evento
“grau de satisfação com a vida” de todas as variáveis
do questionário e, posteriormente, a regressão logística
adotando-se como variável dependente a questão
“Considerando a vida que o(a) senhor(a) leva,
o(a) senhor(a) diria que a sua satisfação com a vida
em geral, no momento, é”. Estas alternativas foram
recodificadas em: “boa” (incluindo as alternativas
“muito” e “médio”) e “ruim”.
As variáveis independentes associadas ao evento na
análise univariada foram agrupadas em blocos:
sociodemográfico, satisfação com os diferentes aspectos
da vida, estilo de vida, morbidade, estado
emocional, formas de socialização, grau de atividade
física, estrato social e as variáveis produto da pergunta
aberta. Análise de regressão logística foi realizada
para cada bloco com o mesmo evento.
Após o estudo por blocos, as variáveis que apresentaram
associação significativa (p<0,05) foram incluídas
em um modelo final de regressão logística, colocando-
se cada uma no modelo por ordem da magnitude
do odds ratio e eliminando-se as variáveis que
deixaram de apresentar significância.
Todo o processo da pesquisa obedeceu aos princípios
éticos dispostos na Resolução n. 196/96, do Conselho
Nacional de Saúde, do Ministério da Saúde,
garantindo aos participantes, entre outros direitos, o
seu consentimento livre e esclarecido, sigilo das informações
e privacidade. O projeto de pesquisa foi
aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Facul
*Martins CO. A influência da música na atividade física. Florianópolis: Centro dos Desportos, Universidade Federal de Santa Catarina; 1996
134 Condições associadas à satisfação com a vida Rev Saúde Pública 2007;41(1):131-8Joia LC et al
dade de Medicina da Universidade Estadual Paulista
(UNESP), em 11/11/2002.
RESULTADOS
Dos entrevistados, 59,7% (n=218) dos idosos eram
do sexo feminino. A maioria dos idosos de sexo masculino
estava casada (76,9%, n=113), enquanto que
no sexo feminino essa proporção foi de 43,6% (n=95).
Houve predominância de idosos aposentados
(61,9%), e destes, 18,4% ainda permaneciam no mercado
de trabalho. Apenas 26,8% (n=98) possuíam
escolaridade acima de quatro anos e somente 9,3%
(n=34) deles completaram o curso superior (Tabela
1). Apesar disso, 43,6% desses idosos se disseram satisfeitos
com sua escolaridade.
Com relação à aposentadoria, 83,0% (n=122) eram do
sexo feminino aposentados, porém no sexo masculino
essa proporção foi de apenas 47,7% (Tabela 1).
A distribuição de renda individual se concentrou na
faixa de três salários-mínimos e se associou estatisticamente
com o sexo (p<0,05). Os idosos do sexo feminino
tinham rendas individuas mais baixas.
Somente 18,1% (n=66) das famílias dos idosos possuíam
renda per capita superior a dois salários-mínimos.
As famílias eram relativamente pequenas, com 87,1%
delas compostas de quatro pessoas no máximo.
No que se refere ao número de cômodos na residên
cia dos idosos, a maioria se encontrava na faixa de
cinco a seis cômodos (47,4%), indicando residências
confortáveis.
Cerca de 18,9% (n=69) dos idosos vivia sozinho em
seus domicílios e 38,6% (n=141) moravam com um
acompanhante, sem diferença estatística por faixa
etária. A maioria (77,5%) residia no município de
Botucatu há mais de 20 anos, indicando uma população
estável.
Dos idosos entrevistados apenas 60,3% haviam sido
vacinados contra gripe no ano anterior.
Observou-se que 236 idosos (64,7%) não tinham o
hábito de caminhar com finalidade de praticar exercícios
físicos. Os idosos sentiam-se felizes, pois, quando
perguntado como estava sua vida atual, 51,2% (n=187)
declararam ter vida muito boa, e 43,6% (n=159) ter
vida boa.
Com relação à satisfação com a vida em geral, 51,5%
(n=187) se disseram muito satisfeitos e 43,6% (n=159).
Na Figura apresentam-se os valores relativos ao grau
de satisfação com diferentes situações da vida e com
a vida em geral da população estudada. Observa-se
que os valores correspondentes aos escores mais baixos
ocorrem nas variáveis aprendizado escolar e situação
financeira.
Observa-se na Tabela 2 que o grau de escolaridade,
entre as variáveis sociodemográficas se associou ao
Tabela 1 - Distribuição da população de 60 anos e mais segundo sexo e características demográficas. Município de Botucatu,
SP, 2003.
Sexo Feminino Masculino
Característica N % N %
Distribuição etária (anos)
60-64 52 23,9 42 28,6
65-69 48 22,0 32 21,8
70-74 45 20,6 38 25,8
75-79 32 14,7 22 15,0
80 e mais 41 18,8 13 8,8
Estado conjugal
Casado 95 43,6 113 76,9
Viúvo 93 42,7 21 14,3
Solteiro 19 8,7 8 5,4
Separado
Escolaridade
11 5,0 5 3,4
Analfabeto ou semi-analfabeto 53 24,3 26 17,7
Primário incompleto
Primário completo
Acima de primário completo
Superior
Aposentadoria
Sim
47
65
33
20
104
21,6
29,8
15,1
9,2
47,7
32
44
31
14
122
21,8
29,9
21,1
9,5
83,0
Não 114 52,3 25 17,0
Inserido no mercado de trabalho
Sim 19 91,3 48 67,3
Não 199 8,7 99 32,7
Renda (salários-mínimos)
Sem renda/não sabe
Até 1
53
80
24,3
36,7
8
32
5,4
21,8
2 a 3 36 16,5 44 29,9
4 a 6 34 15,6 29 19,7
7 e mais 15 6,9 34 23,2
Rev Saúde Pública 2007;41(1):131-8 Condições associadas à satisfação com a vida 135
Joia LC et al
grau de satisfação com a vida. Em relação às Filhos
demais, a maioria se relacionou com situa-Lugar onde mora
ções que geram “bem-estar”. Conforto domiciliar
Constituição familiar
Os indicadores de renda e as categorias da Relacionamento íntimo
questão aberta sobre o que é qualidade de
Atividade de vida diária
vida, não se apresentaram associadas ao grau
Capacidade para o trabalho
de satisfação com a vida em geral.
Lazer
Após a análise por blocos, a composição do Saúde
modelo final de regressão logística revelou Habilidades manuais
que a “satisfação com o conforto domicili-Situação financeira
ar”, “valorizar o lazer como qualidade de Aprendizado escolar
vida”, “acordar bem pela manhã”, “fazer três 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100%
ou mais refeições ao dia”, “não sentir soli-Figura - Distribuição da população de 60 anos e mais segundo grau de
dão, mesmo acompanhado” e a “não referên-satisfação com diferentes aspectos da vida e com a vida em geral.
cia de Diabetes Mellitus” (Tabela 3) foram
Município de Botucatu, SP, 2003.
as que melhor representaram, entre todas as
estudadas, a determinação da satisfação com a vida DISCUSSÃO
entre os idosos estudados.
A maioria dos idosos se disse satisfeito com a vida.
Em resumo, o idoso do município de Botucatu vivia Xavier el al23 (2003) obtiveram resultados semelhanem
famílias relativamente pequenas, em residências tes na cidade de Veranópolis (RS), onde 57,0% da
confortáveis e renda modesta. O índice de alfabetiza-população idosa estudada referiram valores signifição
dos idosos encontrado foi relativamente baixo, cativos de satisfação com a vida. Esses autores indiressaltando-
se, porém que os idosos com idades mais caram saúde, presença do ambiente familiar e renda
baixas possuiam maior nível de escolaridade. como determinantes de boa qualidade de vida. Em
Tabela 2 -Associação de aspectos da vida relacionados à satisfação com a vida obtida por análise multivariada em cada
agrupamento, na população de 60 anos e mais. Município de Botucatu, SP, 2003.
Bloco de variável N OR (IC 95%)
Sociodemográfica
Escolaridade Sim 286 1,86 (1,09; 3,17)
Não 79 1,00
Satisfação
Satisfação com sua saúde Satisfeito 215 1,94 (1,08; 3,46)
Insatisfeito 150 1,00
Satisfação com o conforto domiciliar Satisfeito 326 6,64 (1,80; 24,37)
Insatisfeito 39 1,00
Satisfação com as relações de lazer Satisfeito 218 2,17 (1,25; 3,78)
Insatisfeito 147 1,00
Estilo de vida
Beliscar entre as refeições Sim 239 1,95 (1,22; 3,11)
Não 126 1,00
Número de refeições diárias 3 e mais 278 2,70 (1,58; 4,64)
Até 2 86 1,00
Morbidade
Referir diabetes Não 309 1,91 (1,04; 3,50)
Sim 56 1,00
Estado emocional
Acordar bem pelas manhãs Sim 288 2,38 (1,30; 4,34)
Não 76 1,00
Sentir-se bem na maior parte do tempo Sim 311 3,35 (1,57; 7,14)
Não 53 1,00
Sentir solidão mesmo acompanhado Não 253 2,27 (1,36; 3,78)
Sim 111 1,00
Equilíbrio entre trabalho e lazer Sim 273 2,02 (1,17; 3,49)
Não 92 1,00
Socialização
Relação de lazer Sim 218 1,96 (1,22; 3,12)
Não 147 1,00
Ser ativo na comunidade Sim 188 1,93 (1,22; 3,06)
Não 177 1,00
Gostar de música, tv ou teatro Sim 316 2,21 (1,12; 4,37)
Não 49 1,00
Prática de atividade física
Atividade de grande esforço Pelo menos 1 dia 16 3,78 (1,02; 13,97)
Nenhum dia 349 1,00
136 Condições associadas à satisfação com a vida Rev Saúde Pública 2007;41(1):131-8Joia LC et al
Tabela 3 - Fatores associados ao grau de satisfação com a vida entre idosos de 60 anos e mais. Município de Botucatu (SP),
2003.
Fator Variável N OR (IC 95%)
Satisfação com o conforto domiciliar Satisfeito 326 11,82 (3,27-42,63)
Insatisfeito 39 1,00
Valorizar o lazer como qualidade de vida Satisfeito 218 3,82 (2,28-6,39)
Insatisfeito 147 1,00
Acordar bem pela manhã Sim 288 2,80 (1,47-5,36)
Não 76 1,00
Sentir solidão mesmo acompanhado Não 253 2,68 (1,54-4,65)
Sim 111 1,00
Número de refeições diárias 3 ou mais 278 2,63 (1,75-5,90)
2 ou menos 86 1,00
Referir Diabetes Mellitus Não 309 2,63 (1,31-5,27)
Sim 56 1,00
Botucatu, a satisfação com a vida foi relacionada ao
conforto domiciliar, a acordar bem pela manhã, a ter
três ou mais refeições diárias, à não sensação de solidão,
não ser diabético e valorizar o lazer como qualidade
de vida. No trabalho desenvolvido por Santos
et al20 (2002), com a população de 60 anos e mais, no
município de João Pessoa (PB), a satisfação com a
vida e a qualidade de vida dos idosos variou de pouca
a moderada. Esses resultados sugerem que, apesar
das regiões Nordeste, Sudeste e Sul apresentarem
maior proporção de idosos, a região Nordeste parece
apresentar maior concentração de idosos insatisfeitos,
possivelmente em decorrência da desigualdade
social e da falta de acesso a um padrão de vida que
propicie mais conforto.2
Os resultados do presente trabalho revelaram que a
maior parte dos idosos não praticava atividade física
programada. Entretanto, nas análises por blocos de
variáveis, a presença de atividades de grande esforço
se associou à satisfação com a vida. Costa et al7 (2003),
em estudo descritivo sobre a população idosa brasileira,
baseado na Pesquisa Nacional por Amostra de
Domicílios, relataram que a maioria dos idosos não
realizava atividades físicas.
No presente estudo, satisfação com o conforto do
domicílio foi a situação que mais se associou à satisfação
com a vida. Para Veras & Alves22 (1995), fatores
socioeconômicos têm influência importante na qualidade
de vida da população, pois a situação econômica
oferece suporte material para o bem-estar do
indivíduo, influencia os modos de lidar com os graus
de qualidade de habitação, com as pessoas que o rodeiam,
com a independência econômica e com a estabilidade
financeira. O conforto domiciliar pode,
entretanto, ser interpretado simplesmente como situação
que produz bem-estar.
A satisfação com a saúde entre os idosos de Botucatu
foi considerada boa (58,9%), comparada à encontrada
em estudo epidemiológico conduzido em Bambuí,6
no Brasil, onde a percepção da saúde como boa/mui
to boa entre os idosos variou em torno de 25%. Em
estudo de Ryff19 (1989), os idosos consideraram a
saúde como o elemento mais importante para a qualidade
de vida e sua falta como maior motivo de infelicidade.
Eles associaram a manutenção da funcionalidade
e a aceitação das alterações, entre outros, às mudanças
positivas relacionadas ao envelhecimento e
aos significados de bem-estar. No presente estudo
“não ser portador de Diabetes Mellitus” foi a morbidade
referida que se associou à satisfação com a vida.
Entretanto, Souza et al21 (1997), em estudo sobre a
qualidade de vida da pessoa diabética, verificaram
que 66,6% dos diabéticos idosos estavam satisfeitos
com a vida e que o grau de satisfação relacionava-se,
sobretudo, ao seu bem-estar físico (54,5%), estabilidade
socioeconômica (26%), e bem-estar emocional
e espiritual (16,9%). Isso pode refletir certo grau de
adaptabilidade do idoso à sua condição física.
Hickson & Frost,13 em pesquisa sobre a relação da
qualidade de vida, estado nutricional e função física
em idosos de Londres, Inglaterra, concluíram que o
estado nutricional não influencia a qualidade de vida,
mas poderia afetar diretamente a função física. No
presente estudo, a associação entre fazer três ou mais
refeições diárias e satisfação com a vida, mediu mais
o estilo de vida e aspectos psicológicos de bem-estar
do que aspectos nutricionais. Cabe lembrar que a
pergunta limitava-se ao número de refeições.
A não-referência de solidão também se associou com
a satisfação com a vida. A literatura aponta que a
procura pelo lazer poderia estar associada à fuga de
solidão,18 e que sintomas de ansiedade foram associados
à menor satisfação com a vida e ao pior padrão
de qualidade de vida.
Estudos baseados na aplicação de questionários à população
idosa destacaram a importância de alguns fatores
levantados pelos idosos de Botucatu. Ferraz &
Peixoto10 (1997) revelaram dados positivos sobre a
qualidade de vida dos idosos pertencentes a uma instituição
de recreação, tanto para indicadores objetivos
Rev Saúde Pública 2007;41(1):131-8
quanto para subjetivos. No presente estudo concluiu-
se que a saúde e a independência foram os principais
determinantes da felicidade. Outras razões mencionadas
pela população estudada foram: sistema de apoio,
serem aceitos pela comunidade, afetividade, descrição
positiva do casamento e condições familiares que
reforçam a percepção do convívio social e familiar.
Najman & Levine16 (1981) verificaram que a satisfação
com a vida esteve relacionada à descrição positiva
do casamento, boas condições familiares, boa convivência
social e familiar e à relação entre as aspirações
e realizações. Esses autores concluíram que o principal
determinante da percepção de alta satisfação com
a vida é um relacionamento social estável.
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Condições associadas à satisfação com a vida 137
Joia LC et al
Os resultados das análises por blocos e o modelo final
de regressão para a determinação do grau de satisfação
com a vida em geral entre idosos, sugerem que os fatores
associados à satisfação com a vida na velhice, de
alguma maneira, estão relacionados à sensação de conforto
e bem-estar, independentemente de serem indicadores
de renda ou de estrato social.
AGRADECIMENTOS
Ao Prof. Dr. Ricardo Cordeiro, do Departamento de
Medicina Preventiva e Social da Faculdade de Ciências
Médicas da Unicamp pela sua contribuição na
realização da pesquisa.
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população na década de 80. Rio de Janeiro: Hucitec;
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Pesquisa realizada pelo Departamento de Saúde Pública, Faculdade de Medicina de Botucatu, UNESP.
Financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp - Processo n. 02/09842-0).
Baseado em dissertação de mestrado de LC Joia, apresentada à Faculdade de Medicina de Botucatu, UNESP, em 2004.
Luciane Cristina JoiaI
Tania RuizII
Maria Rita DonalisioIII
Life satisfaction among elderly
population in the city of Botucatu,
Southern Brazil
RESUMO
OBJETIVO: Com o aumento geral da sobrevida da população, torna-se importante
garantir aos idosos não apenas maior longevidade, mas felicidade e satisfação com a
vida. O objetivo do estudo foi descrever os fatores associados ao grau de satisfação
com a vida entre a população de idosos.
MÉTODOS: Foram entrevistados 365 idosos no município de Botucatu, SP, em
2003, selecionados por meio de amostragem estratificada proporcional e aleatória.
Utilizou-se uma composição dos questionários de Flanagan, de Nahas e o WHOQOL
100. Para complementar o inquérito, foram acrescentadas questões sobre atividade
física do Questionário Internacional de Atividade Física; perguntas sobre morbidade
referida e avaliação emocional, situação sociodemográfica, além de uma pergunta
aberta. O grau de satisfação com a vida foi medido numa escala de um a sete,
utilizando reconhecimento visual. Foi realizada análise de regressão logística
hierarquizada, considerando como variável dependente a “satisfação com a vida” e
variáveis independentes àquelas que compuseram o questionário final, em blocos.
RESULTADOS: A maioria dos idosos estava satisfeita com sua vida em geral e em
aspectos específicos. Associou-se com o grau de satisfação com a vida: conforto
domiciliar (OR=11,82; IC 95%: 3,27; 42,63); valorizar o lazer como qualidade de
vida (OR=3,82; IC 95%: 2,28; 6,39); acordar bem pela manhã (OR=2,80; IC 95%:
1,47; 5,36); não referir solidão (OR=2,68; IC 95%: 1,54; 4,65); fazer três ou mais
refeições diárias (OR=2,63; IC 95%: 1,75; 5,90) e referência de não possuir Diabetes
Mellitus (OR=2,63; IC 95%: 1,31; 5,27).
CONCLUSÕES: Os idosos, em sua maioria, estavam satisfeitos com a vida e isso
se associou a situações relacionadas com o “bem-estar” e a não referência de Diabetes
Mellitus.
DESCRITORES: Idoso. Qualidade de vida. Estilo de vida. Questionários.
Faculdade São Francisco de Barreiras.
Barreiras, BA, Brasil
I I Departamento de Saúde Pública.
Faculdade de Medicina de Botucatu.
Universidade Estadual Paulista Julio de
Mesquita. Botucatu, SP, Brasil
I I I Departamento de Medicina Preventiva e
Social. Faculdade de Ciências Médicas.
Universidade Estadual de Campinas.
Campinas, SP, Brasil
Correspondência | Correspondence:
Luciane Cristina Joia
Rodovia BR 135 km 1 n. 2341 Boa Sorte
47805-270 Barreiras, BA, Brasil
E-mail: lucianejoia@yahoo.com.br
Recebido: 10/7/2006 Aprovado: 11/9/2006
ABSTRACT
OBJECTIVE: As a result of overall growing population’s life expectancy, it has
become increasingly important to ensure not only that the elderly have greater longevity
but also happiness and life satisfaction. The objective of the study was to describe
factors associated with life satisfaction among elderly people.
METHODS:Three hundred and sixty-five older persons, selected by means of random
stratified proportional sampling, were interviewed in 2003. The instrument used was a
132 Condições associadas à satisfação com a vida
Joia LC et al
Rev Saúde Pública 2007;41(1):131-8
combination of Flanagan and Nahas questionnaires and WHOQOL-100. There were
added questions concerning physical activity extracted from International Physical Activity
Questionnaire, questions regarding reported morbidity and emotional assessment,
sociodemographic condition and an open question. The level of life satisfaction was
measured using a scale from one to seven by means of visual recognition. Hierarchical
logistic regression analysis was performed including “life satisfaction” as a dependent
variable and those included the final questionnaire, in blocks, as independent variables.
RESULTS: Most elderly were generally rather satisfied with life as well as with
specific aspects. The level of life satisfaction was associated with: comfort at home
(OR=11.82; 95% CI: 3.27; 42.63); appraising leisure as quality of life (OR=3.82;
95% CI: 2.28; 6.39); waking up feeling well in the morning (OR=2.80; 95% CI: 1.47;
5.36); not reporting loneliness (OR=2.68; 95% CI: 1.54; 4.65); having three or more
daily meals (OR=2.63; 95% CI: 1.75; 5.90) and not reporting Diabetes Mellitus
(OR=2.63; 95% CI: 1.31; 5.27).
CONCLUSIONS: Most elderly in the study were satisfied with life and their satisfaction
was associated with situations related to “being well” and not being diabetic.
KEYWORDS: Aged. Quality of life. Life style. Questionnaires.
INTRODUÇÃO
Nas últimas três décadas, a população brasileira vem
envelhecendo em ritmo mais acelerado devido, principalmente,
à rapidez com que declinaram as taxas
de fecundidade.4
Com o aumento geral da sobrevida da população,
ressalta-se a importância de garantir aos idosos não
apenas maior longevidade, mas felicidade, qualidade
de vida e satisfação pessoal.
Satisfação é um fenômeno complexo e de difícil mensuração,
por se tratar de um estado subjetivo. Define,
com maior precisão a experiência de vida em
relação às várias condições de vida do indivíduo. A
satisfação com a vida é um julgamento cognitivo de
alguns domínios específicos na vida como saúde,
trabalho, condições de moradia, relações sociais,
automonia entre outros, ou seja, um processo de
juízo e avaliação geral da própria vida de acordo
com um critério próprio. O julgamento da satisfação
depende de uma comparação entre as circunstâncias
de vida do indivíduo e um padrão por ele estabelecido.
1 Satisfação reflete, em parte, o bem-estar
subjetivo individual, ou seja, o modo e os motivos
que levam as pessoas a viverem suas experiências
de vida de maneira positiva.
Albuquerque & Tróccoli1 (2004) relataram que o bem-
estar subjetivo busca compreender a avaliação que
os indivíduos fazem de suas vidas, em relação aos
aspectos: felicidade, satisfação, estado de espírito,
afeto positivo, sendo considerada por alguns autores
uma avaliação subjetiva da qualidade de vida.
Segundo Ferrans & Power9 (1992), um dos parâmetros
importantes para avaliação da qualidade de vida seria
a satisfação, salientando ainda, que a satisfação
com a vida incluiria aspectos de interação familiar e
social, desempenho físico e exercício profissional.
A qualidade de vida e a satisfação na velhice têm
sido muitas vezes associada a questões de dependência-
autonomia, sendo importante distinguir os “efeitos
da idade”. Algumas pessoas apresentam declínio
no estado de saúde e nas competências cognitivas
precocemente, enquanto outras vivem saudáveis até
idades muito avançadas.
A literatura conceitua de maneira semelhante os termos
“envelhecimento bem sucedido”, “envelhecimento
ativo” e “qualidade de vida na velhice”, sob o
foco de satisfação com a vida.3 Paschoal17 (1996) cita
que a satisfação de vida, de forma indireta, refletiria a
qualidade de vida e seria também uma dimensão chave
nas avaliações de estado de saúde na velhice.
O objetivo do presente trabalho foi descrever os fatores
associados ao grau de satisfação com a vida entre
a população de idosos.
MÉTODOS
Realizou-se no ano de 2003 um estudo transversal com
indivíduos de idade igual ou superior a 60 anos, moradores
do município de Botucatu, SP. Os idosos foram
selecionados por amostragem aleatória e proporcional
entre os domicílios residenciais. Para a identificação
dos domicílios foi utilizado um cadastro contemplando
nove mil famílias alocadas aleatoriamente, sorteadas
Rev Saúde Pública 2007;41(1):131-8 Condições associadas à satisfação com a vida 133
Joia LC et al
por meio de uma escala de 4/1 domicílios residenciais
(26% dos domicílios do município, considerando 1%
de ajuste).5 Em seguida selecionou-se aleatoriamente
neste cadastro moradores com idade igual ou superior
a 60 anos.
Calculou-se o tamanho da população alvo, considerando
um erro amostral de 5% relativo e intervalo de
confiança de 95% (a bilateral de 0,025); uma prevalência
da característica de interesse de 0,5%, desprezando-
se o fator de correção da redução de heterogeneidade
associada ao desenho de conglomerado. Assim,
o tamanho amostral mínimo necessário foi de
384 idosos.
Do total da amostra sorteada, cinco domicílios estavam
fechados em mais de três visitas, três eram casas
de veraneio e 11 idosos tinham ido a óbito, totalizando
365 idosos dos 384 sorteados. Foram perdidos,
portanto, 5% da amostra inicialmente estimada.
O instrumento de coleta de dados foi composto por
três questionários: a Escala de Qualidade de Vida de
Flanagan11 (1976), Perfil do Estilo de Vida Individual
confeccionado por Nahas et al15 (2000) e
WHOQOL-100 (World Health Organization Quality
of Life) elaborado pela Organização Mundial da
Saúde (OMS) e validado no Brasil por Fleck et al12
(1999). Para complementar o inquérito foram acrescentadas
questões sobre atividade física, por meio
da aplicação do Questionário Internacional de Atividade
Física (IPAQ) proposto pela OMS e validado
no Brasil por Matsudo et al14 (2001), perguntas sobre
morbidade referida e estado emocional, situação
sociodemográfica, e uma pergunta aberta “O
que é qualidade de vida para o senhor(a)?”.
Em estudo piloto com 15 idosos não pertencentes à
amostra, verificou-se que a forma de construto dos
questionários não se aplicava à realidade dos idosos,
que apresentaram dificuldade de interpretação das
questões. Além disso, a acuidade visual, com freqüência
diminuída entre os idosos, dificultava muitas vezes
a leitura do instrumento. Como a auto-aplicação
excluiria idosos não alfabetizados e tratando-se de
um estudo populacional, a exclusão dessa população
comprometeria a representatividade da amostra.
Em função disso, foram feitas adaptações aos questionários
validados. A adaptação mais importante foi
do uso da “Escala de Motivação” para avaliar o grau
de satisfação com a vida. Esta escala consiste em sete
rostos desenhados, com as expressões de uma face
neutra, três desmotivadas e três motivadas.*
O instrumento final incluiu: dados sociodemográfi
cos do idoso e seus familiares; domínios de bem-estar
(saúde, potenciais e limitações), de prevenção (nutrição,
vícios, acidentes), de conforto material (utensílios
domésticos e residenciais, localização residencial,
situação financeira), de relacionamento íntimo
e familiar; relações sociais (amizades, lazer, entretenimento),
de desenvolvimento intelectual e habilidades,
de controle do estresse, de atividade física, de
avaliação do estado emocional do idoso, perguntas
sobre morbidade referida e vacinação, além da pergunta
aberta já mencionada.
O inquérito foi realizado nos meses de março a maio
de 2003, por sete entrevistadores treinados.
Após a coleta dos dados, realizou-se a descrição simples
de todas as variáveis, segundo a distribuição
de seus valores ou segundo a lógica do seu conteúdo.
A questão aberta foi analisada com método qualitativo,
identificando-se categorias no conteúdo
das respostas.
Foi estimada a associação univariada com o evento
“grau de satisfação com a vida” de todas as variáveis
do questionário e, posteriormente, a regressão logística
adotando-se como variável dependente a questão
“Considerando a vida que o(a) senhor(a) leva,
o(a) senhor(a) diria que a sua satisfação com a vida
em geral, no momento, é”. Estas alternativas foram
recodificadas em: “boa” (incluindo as alternativas
“muito” e “médio”) e “ruim”.
As variáveis independentes associadas ao evento na
análise univariada foram agrupadas em blocos:
sociodemográfico, satisfação com os diferentes aspectos
da vida, estilo de vida, morbidade, estado
emocional, formas de socialização, grau de atividade
física, estrato social e as variáveis produto da pergunta
aberta. Análise de regressão logística foi realizada
para cada bloco com o mesmo evento.
Após o estudo por blocos, as variáveis que apresentaram
associação significativa (p<0,05) foram incluídas
em um modelo final de regressão logística, colocando-
se cada uma no modelo por ordem da magnitude
do odds ratio e eliminando-se as variáveis que
deixaram de apresentar significância.
Todo o processo da pesquisa obedeceu aos princípios
éticos dispostos na Resolução n. 196/96, do Conselho
Nacional de Saúde, do Ministério da Saúde,
garantindo aos participantes, entre outros direitos, o
seu consentimento livre e esclarecido, sigilo das informações
e privacidade. O projeto de pesquisa foi
aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Facul
*Martins CO. A influência da música na atividade física. Florianópolis: Centro dos Desportos, Universidade Federal de Santa Catarina; 1996
134 Condições associadas à satisfação com a vida Rev Saúde Pública 2007;41(1):131-8Joia LC et al
dade de Medicina da Universidade Estadual Paulista
(UNESP), em 11/11/2002.
RESULTADOS
Dos entrevistados, 59,7% (n=218) dos idosos eram
do sexo feminino. A maioria dos idosos de sexo masculino
estava casada (76,9%, n=113), enquanto que
no sexo feminino essa proporção foi de 43,6% (n=95).
Houve predominância de idosos aposentados
(61,9%), e destes, 18,4% ainda permaneciam no mercado
de trabalho. Apenas 26,8% (n=98) possuíam
escolaridade acima de quatro anos e somente 9,3%
(n=34) deles completaram o curso superior (Tabela
1). Apesar disso, 43,6% desses idosos se disseram satisfeitos
com sua escolaridade.
Com relação à aposentadoria, 83,0% (n=122) eram do
sexo feminino aposentados, porém no sexo masculino
essa proporção foi de apenas 47,7% (Tabela 1).
A distribuição de renda individual se concentrou na
faixa de três salários-mínimos e se associou estatisticamente
com o sexo (p<0,05). Os idosos do sexo feminino
tinham rendas individuas mais baixas.
Somente 18,1% (n=66) das famílias dos idosos possuíam
renda per capita superior a dois salários-mínimos.
As famílias eram relativamente pequenas, com 87,1%
delas compostas de quatro pessoas no máximo.
No que se refere ao número de cômodos na residên
cia dos idosos, a maioria se encontrava na faixa de
cinco a seis cômodos (47,4%), indicando residências
confortáveis.
Cerca de 18,9% (n=69) dos idosos vivia sozinho em
seus domicílios e 38,6% (n=141) moravam com um
acompanhante, sem diferença estatística por faixa
etária. A maioria (77,5%) residia no município de
Botucatu há mais de 20 anos, indicando uma população
estável.
Dos idosos entrevistados apenas 60,3% haviam sido
vacinados contra gripe no ano anterior.
Observou-se que 236 idosos (64,7%) não tinham o
hábito de caminhar com finalidade de praticar exercícios
físicos. Os idosos sentiam-se felizes, pois, quando
perguntado como estava sua vida atual, 51,2% (n=187)
declararam ter vida muito boa, e 43,6% (n=159) ter
vida boa.
Com relação à satisfação com a vida em geral, 51,5%
(n=187) se disseram muito satisfeitos e 43,6% (n=159).
Na Figura apresentam-se os valores relativos ao grau
de satisfação com diferentes situações da vida e com
a vida em geral da população estudada. Observa-se
que os valores correspondentes aos escores mais baixos
ocorrem nas variáveis aprendizado escolar e situação
financeira.
Observa-se na Tabela 2 que o grau de escolaridade,
entre as variáveis sociodemográficas se associou ao
Tabela 1 - Distribuição da população de 60 anos e mais segundo sexo e características demográficas. Município de Botucatu,
SP, 2003.
Sexo Feminino Masculino
Característica N % N %
Distribuição etária (anos)
60-64 52 23,9 42 28,6
65-69 48 22,0 32 21,8
70-74 45 20,6 38 25,8
75-79 32 14,7 22 15,0
80 e mais 41 18,8 13 8,8
Estado conjugal
Casado 95 43,6 113 76,9
Viúvo 93 42,7 21 14,3
Solteiro 19 8,7 8 5,4
Separado
Escolaridade
11 5,0 5 3,4
Analfabeto ou semi-analfabeto 53 24,3 26 17,7
Primário incompleto
Primário completo
Acima de primário completo
Superior
Aposentadoria
Sim
47
65
33
20
104
21,6
29,8
15,1
9,2
47,7
32
44
31
14
122
21,8
29,9
21,1
9,5
83,0
Não 114 52,3 25 17,0
Inserido no mercado de trabalho
Sim 19 91,3 48 67,3
Não 199 8,7 99 32,7
Renda (salários-mínimos)
Sem renda/não sabe
Até 1
53
80
24,3
36,7
8
32
5,4
21,8
2 a 3 36 16,5 44 29,9
4 a 6 34 15,6 29 19,7
7 e mais 15 6,9 34 23,2
Rev Saúde Pública 2007;41(1):131-8 Condições associadas à satisfação com a vida 135
Joia LC et al
grau de satisfação com a vida. Em relação às Filhos
demais, a maioria se relacionou com situa-Lugar onde mora
ções que geram “bem-estar”. Conforto domiciliar
Constituição familiar
Os indicadores de renda e as categorias da Relacionamento íntimo
questão aberta sobre o que é qualidade de
Atividade de vida diária
vida, não se apresentaram associadas ao grau
Capacidade para o trabalho
de satisfação com a vida em geral.
Lazer
Após a análise por blocos, a composição do Saúde
modelo final de regressão logística revelou Habilidades manuais
que a “satisfação com o conforto domicili-Situação financeira
ar”, “valorizar o lazer como qualidade de Aprendizado escolar
vida”, “acordar bem pela manhã”, “fazer três 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100%
ou mais refeições ao dia”, “não sentir soli-Figura - Distribuição da população de 60 anos e mais segundo grau de
dão, mesmo acompanhado” e a “não referên-satisfação com diferentes aspectos da vida e com a vida em geral.
cia de Diabetes Mellitus” (Tabela 3) foram
Município de Botucatu, SP, 2003.
as que melhor representaram, entre todas as
estudadas, a determinação da satisfação com a vida DISCUSSÃO
entre os idosos estudados.
A maioria dos idosos se disse satisfeito com a vida.
Em resumo, o idoso do município de Botucatu vivia Xavier el al23 (2003) obtiveram resultados semelhanem
famílias relativamente pequenas, em residências tes na cidade de Veranópolis (RS), onde 57,0% da
confortáveis e renda modesta. O índice de alfabetiza-população idosa estudada referiram valores signifição
dos idosos encontrado foi relativamente baixo, cativos de satisfação com a vida. Esses autores indiressaltando-
se, porém que os idosos com idades mais caram saúde, presença do ambiente familiar e renda
baixas possuiam maior nível de escolaridade. como determinantes de boa qualidade de vida. Em
Tabela 2 -Associação de aspectos da vida relacionados à satisfação com a vida obtida por análise multivariada em cada
agrupamento, na população de 60 anos e mais. Município de Botucatu, SP, 2003.
Bloco de variável N OR (IC 95%)
Sociodemográfica
Escolaridade Sim 286 1,86 (1,09; 3,17)
Não 79 1,00
Satisfação
Satisfação com sua saúde Satisfeito 215 1,94 (1,08; 3,46)
Insatisfeito 150 1,00
Satisfação com o conforto domiciliar Satisfeito 326 6,64 (1,80; 24,37)
Insatisfeito 39 1,00
Satisfação com as relações de lazer Satisfeito 218 2,17 (1,25; 3,78)
Insatisfeito 147 1,00
Estilo de vida
Beliscar entre as refeições Sim 239 1,95 (1,22; 3,11)
Não 126 1,00
Número de refeições diárias 3 e mais 278 2,70 (1,58; 4,64)
Até 2 86 1,00
Morbidade
Referir diabetes Não 309 1,91 (1,04; 3,50)
Sim 56 1,00
Estado emocional
Acordar bem pelas manhãs Sim 288 2,38 (1,30; 4,34)
Não 76 1,00
Sentir-se bem na maior parte do tempo Sim 311 3,35 (1,57; 7,14)
Não 53 1,00
Sentir solidão mesmo acompanhado Não 253 2,27 (1,36; 3,78)
Sim 111 1,00
Equilíbrio entre trabalho e lazer Sim 273 2,02 (1,17; 3,49)
Não 92 1,00
Socialização
Relação de lazer Sim 218 1,96 (1,22; 3,12)
Não 147 1,00
Ser ativo na comunidade Sim 188 1,93 (1,22; 3,06)
Não 177 1,00
Gostar de música, tv ou teatro Sim 316 2,21 (1,12; 4,37)
Não 49 1,00
Prática de atividade física
Atividade de grande esforço Pelo menos 1 dia 16 3,78 (1,02; 13,97)
Nenhum dia 349 1,00
136 Condições associadas à satisfação com a vida Rev Saúde Pública 2007;41(1):131-8Joia LC et al
Tabela 3 - Fatores associados ao grau de satisfação com a vida entre idosos de 60 anos e mais. Município de Botucatu (SP),
2003.
Fator Variável N OR (IC 95%)
Satisfação com o conforto domiciliar Satisfeito 326 11,82 (3,27-42,63)
Insatisfeito 39 1,00
Valorizar o lazer como qualidade de vida Satisfeito 218 3,82 (2,28-6,39)
Insatisfeito 147 1,00
Acordar bem pela manhã Sim 288 2,80 (1,47-5,36)
Não 76 1,00
Sentir solidão mesmo acompanhado Não 253 2,68 (1,54-4,65)
Sim 111 1,00
Número de refeições diárias 3 ou mais 278 2,63 (1,75-5,90)
2 ou menos 86 1,00
Referir Diabetes Mellitus Não 309 2,63 (1,31-5,27)
Sim 56 1,00
Botucatu, a satisfação com a vida foi relacionada ao
conforto domiciliar, a acordar bem pela manhã, a ter
três ou mais refeições diárias, à não sensação de solidão,
não ser diabético e valorizar o lazer como qualidade
de vida. No trabalho desenvolvido por Santos
et al20 (2002), com a população de 60 anos e mais, no
município de João Pessoa (PB), a satisfação com a
vida e a qualidade de vida dos idosos variou de pouca
a moderada. Esses resultados sugerem que, apesar
das regiões Nordeste, Sudeste e Sul apresentarem
maior proporção de idosos, a região Nordeste parece
apresentar maior concentração de idosos insatisfeitos,
possivelmente em decorrência da desigualdade
social e da falta de acesso a um padrão de vida que
propicie mais conforto.2
Os resultados do presente trabalho revelaram que a
maior parte dos idosos não praticava atividade física
programada. Entretanto, nas análises por blocos de
variáveis, a presença de atividades de grande esforço
se associou à satisfação com a vida. Costa et al7 (2003),
em estudo descritivo sobre a população idosa brasileira,
baseado na Pesquisa Nacional por Amostra de
Domicílios, relataram que a maioria dos idosos não
realizava atividades físicas.
No presente estudo, satisfação com o conforto do
domicílio foi a situação que mais se associou à satisfação
com a vida. Para Veras & Alves22 (1995), fatores
socioeconômicos têm influência importante na qualidade
de vida da população, pois a situação econômica
oferece suporte material para o bem-estar do
indivíduo, influencia os modos de lidar com os graus
de qualidade de habitação, com as pessoas que o rodeiam,
com a independência econômica e com a estabilidade
financeira. O conforto domiciliar pode,
entretanto, ser interpretado simplesmente como situação
que produz bem-estar.
A satisfação com a saúde entre os idosos de Botucatu
foi considerada boa (58,9%), comparada à encontrada
em estudo epidemiológico conduzido em Bambuí,6
no Brasil, onde a percepção da saúde como boa/mui
to boa entre os idosos variou em torno de 25%. Em
estudo de Ryff19 (1989), os idosos consideraram a
saúde como o elemento mais importante para a qualidade
de vida e sua falta como maior motivo de infelicidade.
Eles associaram a manutenção da funcionalidade
e a aceitação das alterações, entre outros, às mudanças
positivas relacionadas ao envelhecimento e
aos significados de bem-estar. No presente estudo
“não ser portador de Diabetes Mellitus” foi a morbidade
referida que se associou à satisfação com a vida.
Entretanto, Souza et al21 (1997), em estudo sobre a
qualidade de vida da pessoa diabética, verificaram
que 66,6% dos diabéticos idosos estavam satisfeitos
com a vida e que o grau de satisfação relacionava-se,
sobretudo, ao seu bem-estar físico (54,5%), estabilidade
socioeconômica (26%), e bem-estar emocional
e espiritual (16,9%). Isso pode refletir certo grau de
adaptabilidade do idoso à sua condição física.
Hickson & Frost,13 em pesquisa sobre a relação da
qualidade de vida, estado nutricional e função física
em idosos de Londres, Inglaterra, concluíram que o
estado nutricional não influencia a qualidade de vida,
mas poderia afetar diretamente a função física. No
presente estudo, a associação entre fazer três ou mais
refeições diárias e satisfação com a vida, mediu mais
o estilo de vida e aspectos psicológicos de bem-estar
do que aspectos nutricionais. Cabe lembrar que a
pergunta limitava-se ao número de refeições.
A não-referência de solidão também se associou com
a satisfação com a vida. A literatura aponta que a
procura pelo lazer poderia estar associada à fuga de
solidão,18 e que sintomas de ansiedade foram associados
à menor satisfação com a vida e ao pior padrão
de qualidade de vida.
Estudos baseados na aplicação de questionários à população
idosa destacaram a importância de alguns fatores
levantados pelos idosos de Botucatu. Ferraz &
Peixoto10 (1997) revelaram dados positivos sobre a
qualidade de vida dos idosos pertencentes a uma instituição
de recreação, tanto para indicadores objetivos
Rev Saúde Pública 2007;41(1):131-8
quanto para subjetivos. No presente estudo concluiu-
se que a saúde e a independência foram os principais
determinantes da felicidade. Outras razões mencionadas
pela população estudada foram: sistema de apoio,
serem aceitos pela comunidade, afetividade, descrição
positiva do casamento e condições familiares que
reforçam a percepção do convívio social e familiar.
Najman & Levine16 (1981) verificaram que a satisfação
com a vida esteve relacionada à descrição positiva
do casamento, boas condições familiares, boa convivência
social e familiar e à relação entre as aspirações
e realizações. Esses autores concluíram que o principal
determinante da percepção de alta satisfação com
a vida é um relacionamento social estável.
REFERÊNCIAS
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uma escala de bem-estar subjetivo. Psicol Teoria Pes.
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velhice: estudo em uma instituição pública de
recreação para idosos. Rev Esc Enferm USP.
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Condições associadas à satisfação com a vida 137
Joia LC et al
Os resultados das análises por blocos e o modelo final
de regressão para a determinação do grau de satisfação
com a vida em geral entre idosos, sugerem que os fatores
associados à satisfação com a vida na velhice, de
alguma maneira, estão relacionados à sensação de conforto
e bem-estar, independentemente de serem indicadores
de renda ou de estrato social.
AGRADECIMENTOS
Ao Prof. Dr. Ricardo Cordeiro, do Departamento de
Medicina Preventiva e Social da Faculdade de Ciências
Médicas da Unicamp pela sua contribuição na
realização da pesquisa.
11. Flanagan JC. Changes in school levels of
achievement: Project TALENT ten and fifteen year
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13. Hickson M, Frost G. A investigation into the relationships
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function. In press. Clinical Nutrition, [serial online],
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14. Matsudo S, Araujo T, Matzudo V, Andrade D, Andrade
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reprodutibilidade no Brasil. Rev Bras Ativ Fis Saúde.
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17. Paschoal SMP. Autonomia e independência. In:
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138 Condições associadas à satisfação com a vida Rev Saúde Pública 2007;41(1):131-8Joia LC et al
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REMM. Qualidade de vida do idoso na comunidade:
aplicação da Escala de Flanagan. Rev Lat Am
Enferm. 2002;10:757-64.
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Qualidade de vida da pessoa diabética. Rev Esc
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22. Veras RP, Alves MIC. A população idosa no Brasil:
considerações acerca do uso de indicadores de
saúde. In: Minayo MC. Os muito brasis: saúde e
população na década de 80. Rio de Janeiro: Hucitec;
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23. Xavier FMF, Ferraz MPT, Marc N, Escosteguy NU,
Moriguchi EH. Elderly people´s definition of quality of
life. Rev Bras Psiquiatr. 2003;25:31-9.
Pesquisa realizada pelo Departamento de Saúde Pública, Faculdade de Medicina de Botucatu, UNESP.
Financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp - Processo n. 02/09842-0).
Baseado em dissertação de mestrado de LC Joia, apresentada à Faculdade de Medicina de Botucatu, UNESP, em 2004.
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segunda-feira, 8 de junho de 2009
Criação da Delegacia Especializada em atendimento ao Idoso
Em 1997, o então secretário de segurança do estado de Minas Gerais viu a necessidade de ter representatividade do idoso nas delegacias. O idoso até então era atendido como um cidadão comum, sem necessidades e cuidados especiais. A partir daí foi criada a Delegacia Especializada em atendimento ao Idoso, a princípio em conjunto com a da Mulher e do Deficiente físico, o que depois foi desmembrado por não atender fisicamente as necessidades dos idosos e dos deficientes físicos pois possuía escadas e rampas de difícil acesso, depois sendo instalado um elevador após muita pressão do Ministério Público mas não atendia a toda a demanda.Era considerada referencia no Brasil pois, alem de pioneira possuía âmbito social e foi criada antes do estatuto do idoso (2000).Quando foi criada eram registrados 2000 casos/ano e após a criação do estatuto do idoso esses números caíram bastante hoje mensurados em 450 casos/ano.Possui um a disciplina interna para capacitar aos servidores para lidar com os idosos e é uma porta de entrada para estagiários (não remunerados) de vários cursos acadêmicos dentre eles: direito, psicologia, serviço social, terapia ocupacional, medicina.
Essa delegacia tem um viés social pois foi a primeira delegacia do Brasil com essa especialização e umas das primeiras a inserir uma área específica de psicologia para combater ao crime contra o idosos visto que a maioria dos crimes contra o idoso (os mais comuns são lesão corporal, vias de fato,apropriação indébita e agressão) são ainda cometidos pelos próprios parentes ou pessoas próximas.Promove conferências públicas no conselho do idosos, palestras em vários setores da sociedade, priva pela conciliação através do diálogo entre a vítima e o agressor e participa de uma rede de vários setores da sociedade desde conselhos, defensoria publica, promotoria , hospitais dentre outros que promove maior fluidez na resolução de questões relacionadas ao idoso.
Para os idosos que não podem se deslocar ate a delegacia é feita a oitiva que é o atendimento da vítima em casa.
Uma das leis que auxiliam na penalidade dos agressores pode ser a Lei Maria da Penha, onde se houver lesão corporal contra o idoso/idosa e ela for aplicada, o agressor é detido, entretanto ainda há leis que ao serem aplicadas as penalidades são pagamento de cesta básica, mensal.
Algumas instituições especializadas em idosos em Belo Horizonte:
Promotoria do idoso: Rua Timbiras esquina com Ouro Preto
Defensoria Pública: Av. Augusto de Lima com Paracatú
Promotoria de saúde: Av. Augusto de Lima com Juiz de Fora
Conselho do Idoso: Rua Espírito Santo com Carijós
Raul Aires
Policial Civil, ex-integrante da Delegacia dos Idosos
Essa delegacia tem um viés social pois foi a primeira delegacia do Brasil com essa especialização e umas das primeiras a inserir uma área específica de psicologia para combater ao crime contra o idosos visto que a maioria dos crimes contra o idoso (os mais comuns são lesão corporal, vias de fato,apropriação indébita e agressão) são ainda cometidos pelos próprios parentes ou pessoas próximas.Promove conferências públicas no conselho do idosos, palestras em vários setores da sociedade, priva pela conciliação através do diálogo entre a vítima e o agressor e participa de uma rede de vários setores da sociedade desde conselhos, defensoria publica, promotoria , hospitais dentre outros que promove maior fluidez na resolução de questões relacionadas ao idoso.
Para os idosos que não podem se deslocar ate a delegacia é feita a oitiva que é o atendimento da vítima em casa.
Uma das leis que auxiliam na penalidade dos agressores pode ser a Lei Maria da Penha, onde se houver lesão corporal contra o idoso/idosa e ela for aplicada, o agressor é detido, entretanto ainda há leis que ao serem aplicadas as penalidades são pagamento de cesta básica, mensal.
Algumas instituições especializadas em idosos em Belo Horizonte:
Promotoria do idoso: Rua Timbiras esquina com Ouro Preto
Defensoria Pública: Av. Augusto de Lima com Paracatú
Promotoria de saúde: Av. Augusto de Lima com Juiz de Fora
Conselho do Idoso: Rua Espírito Santo com Carijós
Raul Aires
Policial Civil, ex-integrante da Delegacia dos Idosos
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