terça-feira, 9 de junho de 2009

Resenha

ASSIS, Monica de ; Envelhecimento ativo e promoção da saúde: reflexão para as ações educativas com idosos.Jan. 2005, pp.1-15 . Rio de Janeiro. Disponível em:
< http://www.nates.ufjf.br/novo/revista/pdf/v008n1/Envelhecimento.pdf.>. Acesso em: 16 mai. 2009.

Biografia:
Mônica de Assis
É graduada em Serviço Social (UERJ, 1985), sanitarista pela Escola Nacional de Saúde Pública (Fiocruz, 1988), mestre em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social (UERJ, 1992) e doutora em Ciências da Saúde pela Escola Nacional de Saúde Pública (Fiocruz, 2004). Atua na Coordenação de Prevenção e Vigilância do Câncer, do Instituto Nacional de Câncer / Ministério da Saúde. É coordenadora e docente do módulo de prevenção de doenças e promoção da saúde do Curso de Especialização em Geriatria e Gerontologia da UnATI / UERJ, no qual atua como orientadora dos trabalhos acadêmicos. Participa da Rede de Educação Popular em Saúde e desenvolve estudos nas áreas de saúde do idoso, promoção da saúde, educação popular em saúde, avaliação e detecção precoce do câncer.
Resumo:
O envelhecimento humano é um processo universal, progressivo e gradual. Trata-se de uma experiência diversificada entre os indivíduos, para a qual concorre uma multiplicidade de fatores de ordem genética, biológica, social, ambiental, psicológica e cultural. Não há uma correspondência linear entre idade cronológica e idade biológica. A variabilidade individual e os dois ritmos diferenciados de envelhecimento tendem a acentuar-se conforme as oportunidades e constrangimentos vigentes sob dadas condições sociais. O desenvolvimento conceitual contemporâneo da Promoção da Saúde tem como marco o Informe Lalonde, documento de reorientação da política de saúde do Canadá, lançado em 1974. Com base no conceito de campo da saúde, o documento estabeleceu a discussão sobre os limites do investimento crescente com assistência médica para melhorar a saúde da população. Os campos da Promoção de Saúde são definidos como estratégias que englobariam todos os seus determinantes: políticas públicas saudáveis, criação de ambientes favoráveis à saúde, reforço da ação comunitária, desenvolvimento de habilidades pessoais favoráveis e reorientação dos serviços de saúde. O ponto sobre as políticas públicas saudáveis é considerado um diferencial em relação ao entendimento prévio de Promoção da Saúde, mais associado à correção de comportamentos. A idéia de uma ação mais ampla e crítica na abordagem da Educação em Saúde comprometida com eqüidade e justiça social tem sido a linha adotada no Brasil por profissionais que se identificam com a Educação Popular em Saúde. Os princípios teórico-metodológicos da área têm raízes nas concepções pedagógicas de Paulo Freire e podem ser elencados sinteticamente como: concepção de saúde como qualidade de vida; valorização da cultura popular e de sua interação com o saber técnico-científico; estímulo ao diálogo e a processos reflexivos; priorização de metodologias participativas; opção filosófica política pela não-opressão; compromisso com justiça social e o fortalecimento dos movimentos oito sociais; humanização, afetividade e prática voltada à afirmação dos sujeitos. Tais princípios questionam a Educação em Saúde tradicional, limitada ao repasse de informações técnicas, de maneira verticalizada e desvinculada das condições de vida da população. Refere-se à adição de competência e habilidade do ser humano, como parte de um “projeto social” que tem como marco a investigação sobre estilos de vida baseada no contexto e no significado e não na responsabilização individual. O auto cuidado é uma estratégia fundamental da promoção da saúde e deve ser visto como uma das formas de expressão da autonomia. No que tange a informação cabe pontuar seu valor como principio ético habitualmente negligenciado na cultura hegemônica dos serviços de saúde. Bem cuidada, a informação facilita o estabelecimento de vínculo de confiança a partir do qual as pessoas possam ampliar seus recursos para compreender e atuar nas questões de saúde. Isso é especialmente importante na velhice pelo maior requerimento do auto cuidado na monitoração de doenças crônicas, tão necessárias quanto comum nessa fase. A participação popular como estratégia para interferência sobre determinantes da saúde que escapam ao comportamento individual tem centralidade no discurso da promoção da saúde e é apontada como caminho na construção de políticas públicas e ambientes favoráveis à saúde. A inserção de idosos em atividades sociais tem sido reconhecida como valiosa para a qualidade de vida deste segmento, com repercussões positivas na saúde. As ações educativas em saúde orientadas pela Educação Popular contribuem para uma visão integradora da promoção da saúde ao trazerem para debate a relação do Estado e das políticas públicas com as questões que envolvem a prevenção e o controle de doenças no contexto da vida cotidiana.
Palavras Chaves: Envelhecimento, saúde, promoção.
“A observação de padrões diferenciados de envelhecimento e a busca por compreender os determinantes da longevidade com qualidade de vida têm motivado estudos na linha de compreensão do que constituiria o bom envelhecer.” (ASSIS, 2005, p.2).

“O envelhecimento é um processo normal, dinâmico, e não uma doença. Enquanto o envelhecimento é um processo inevitável e irreversível, as condições crônicas e incapacitantes que freqüentemente acompanham o envelhecimento podem ser prevenidas ou retardadas, não só por intervenções médicas, mas também por intervenções sociais, econômicas e ambientais. (BRASIL, 1996, p.1).”
(ASSIS, 2005, p.3).

“O ponto sobre as políticas públicas saudáveis é considerado um diferencial em relação ao entendimento prévio de Promoção da Saúde, mais associado à correção de comportamentos.” (ASSIS, 2005, p.6).

“A experiência e os conhecimentos que informam a vida prática das pessoas são base para a abordagem educativa, cujo eixo metodológico deve ser criar contextos de intercomunicação favoráveis à expressão e à reflexão sobre como as pessoas lidam com a saúde/doença, as dificuldades que enfrentam e as estratégias correspondentes diante das adversidades do contexto social. Este reconhecimento do outro é ingrediente no processo de reforço da auto-estima das pessoas, dimensão desejada tanto para repercussões no nível individual (autocuidado em saúde), como coletivo (participação social e política).” (ASSIS, 2005, p.9).

“O cuidado de si depende, em alguma medida, da auto valorização de cada pessoa como ser singular e como cidadão. Aqui, igualmente, em se tratando de população idosa sobre a qual recaem estigmas e preconceitos socioculturais bem enraizados, o reforço da auto-estima configura-se como estratégia essencial do trabalho, potencialmente capaz de reagir a estes mesmos preconceitos e contribuir para alterar progressivamente o imaginário social de velhice.” (ASSIS, 2005, p.9).

“Do exposto ressalta-se a oportunidade de se estabelecer bases mais fecundas à comunicação nas práticas de saúde e de se reconhecer nelas os sujeitos. Isto importa não apenas pela importância de valores e disposições internas no autocuidado em saúde, mas também para trazer ao debate questões sociais, políticas e econômicas que interpõem-se como barreiras ou dificuldades nesse processo.” (ASSIS, 2005, p.10).


“O marco referencial da promoção da saúde converge com este horizonte, mas pode,
dentre os seus riscos, significar discurso amplo e práticas estreitas pelos interesses contraditórios aglutinados neste campo.” (ASSIS, 2005, p.12).

“A dimensão comportamental é parte do espectro de determinantes da promoção da saúde no envelhecimento e deve ser contemplada criticamente na prática dos profissionais de saúde, ao concebê-la em sua historicidade e articulação ao contexto socioeconômico, cultural, político e ideológico.” (ASSIS, 2005, p.13).

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